• As reflexões neste Blog são direcionadas por princípios bíblicos.
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  • Somente a Palavra de Deus, em sua autoridade e suficiência, pode guiar todo homem no caminho da verdade.

Santidade sem desespero e graça com responsabilidade

 


Recentemente estive pregando com base em 1João 2:1-2. O texto bíblico confronta a prática recorrente de relativizar culpas pessoais e de tratar o pecado, qualquer que seja, como algo secundário ou irrelevante. Essa postura, ainda que comum, não produz paz verdadeira nem restauração espiritual.

Por outro lado, há quem viva sob o peso de uma inquietação constante. São pessoas conscientes de suas faltas, mas incapazes de encontrar descanso para a consciência, sobrecarregada por acusações internas decorrentes do pecado cometido. Entre a banalização do pecado e o desespero silencioso, muitos tentam seguir a vida cristã sem clareza do caminho bíblico.

É exatamente nesse ponto de tensão que João escreve. Ele se dirige a crentes envolvidos em conflitos internos e externos, mas sinceramente desejosos de permanecer em comunhão com Deus. Sua palavra não suaviza a gravidade do pecado, mas também não ignora a fragilidade humana.

Na passagem ele deixa claro que a finalidade do ensino não é acomodar o pecado, mas combatê-lo. Ele escreve para que os crentes não pequem, pois, de acordo com o contexto, a comunhão com a santidade de Deus continua sendo o alvo. Contudo, João conhece a fragilidade dos seus leitores e não os empurra para o desespero. Ele afirma que quando um crente peca, mas confessa e se arrepende, há um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Trata-se de alguém que fala em favor do culpado e o consola com base em justiça real, não em condescendência emocional.

João sustenta essa segurança na obra objetiva de Cristo (1Jo 2:2). Claramente, a base do perdão não está no arrependimento em si do que peca, mas no sacrifício eficaz de Cristo, que satisfez plenamente a justiça de Deus. Assim, o crente não é chamado a negar o pecado, mas a enfrentá-lo à luz da cruz.

Quem compreende que tem um Advogado não brinca com o pecado, mas também não foge de Deus e da comunhão com a igreja quando cai. 

Somos chamados a viver em santidade, sustentados por uma graça que não nos absolve para pecar, mas nos restaura para obedecer, pois, permanecer em Cristo é a única resposta fiel a uma obra tão perfeita e suficiente.

Rev. Ericson Martins

Andando na luz, como Deus está na luz


Na experiência da fé cristã muitos convivem com uma tensão silenciosa. Sabem que foram perdoados em Cristo, mas percebem que ainda pecam. Surge, então, uma dúvida prática e pastoral: se a culpa eterna foi removida, por que a confissão diária continua sendo necessária?

Na Primeira Epístola de João, o apóstolo escreveu a crentes que já tinham professado fé verdadeira, mas estavam sendo influenciados por ensinos que minimizavam o pecado. João organizou sua argumentação em torno do contraste entre luz e trevas. Andar na luz não significa perfeição moral, mas viver sem autoengano diante de Deus. É nesse contexto que ele declara, em 1João 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”

O foco do texto não é a justificação, mas a comunhão. João já deixou claro que negar o pecado, inclusive o mantendo escondido, é mentir contra a verdade de Deus (1Jo 1:8), porque o pecado remanescente continua sendo uma realidade na vida do crente (Rm 7:7-25) e, quando não reconhecido, exposto e tratado, como um câncer, ele avança na corrupção da experiência saudável de comunhão com Deus e com a Igreja.

A confissão não reabre a questão da condenação; ela restaura a consciência e os relacionamentos ofendidos pelo pecado pessoal. É assim que o crente fortalece a comunhão com Deus e com seus irmãos na fé, porque Deus é fiel para cumprir sua promessa e justo para conceder o perdão, o qual se fundamenta na obra consumada de Cristo, não no mérito humano.

Quem anda na luz não relativiza o pecado nem se esconde dele, mas o enfrenta com arrependimento verdadeiro e confissão, como atos de fé e humildade. Este prefere descansar a sua confiança na graça de Deus a viver acumulando culpas, mágoas e relações quebradas. Assim, a comunhão é preservada, e a consciência permanece sensível diante da Palavra de Deus.

Rev. Ericson Martins

O Verbo se fez carne

 


Em João 1:1 lemos: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Esta é uma afirmação essencial do Evangelho. O princípio de Jesus não se deu em Belém, porque ele é eterno, plenamente Deus. Assim, seu nascimento como homem não marca o início de sua existência, mas o início de sua missão entre nós.

O verso 14 revela o coração dessa missão: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1:14). O Filho de Deus assumiu nossa humanidade ao entrar em nossa história, pisou o nosso chão e compartilhou a nossa realidade, sem pecado.

Sua humilhante encarnação provou que Deus não ficou distante, pelo contrário, ele veio ao nosso encontro. Cristo se fez carne para revelar quem Deus é e para reconciliar pecadores com ele. Portanto, o Natal anuncia que a salvação não é uma ideia abstrata, mas uma pessoa viva, que habitou entre nós, sofreu, foi crucificado, sepultado, mas que, ao terceiro dia, ressuscitou dentre os mortos, sendo testemunhado por centenas de pessoas, e ascendeu aos céus, colocando-se à direita do Pai, de onde intercede por nós e de onde retornará gloriosamente para julgar a todos.

Celebrar o Natal é celebrar essa verdade com gratidão e louvor, pois o Verbo eterno se fez carne para dar vida e vida eterna, a saber, aos que creem em seu nome.

Rev. Ericson Martins

Dia do Pastor Presbiteriano

 


Anualmente, no dia 17 de dezembro, a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) comemora o Dia do Pastor Presbiteriano. Gostaria de destacar duas considerações importantes:

Primeira, histórica. Esta homenagem tem sua origem na ordenação do primeiro pastor presbiteriano brasileiro, o Rev. José Manoel da Conceição, ocorrida em 17 de dezembro de 1865. Esse foi o início do pastorado presbiteriano autóctone, consolidando uma liderança nacional enraizada na língua, na cultura e na realidade do Brasil.

Segunda, funcional. O trabalho pastoral legítimo é fruto da vocação divina, sustentado pela abnegação e conduzido pela Palavra de Deus. Os pastores carregam a grande responsabilidade não apenas de falar em nome de Deus, mas também de cuidar do seu rebanho, muitas vezes a um custo elevado, pago com renúncias silenciosas, ansiedades e solidão.

Nesse sentido, a vida pastoral encontra seu modelo maior em Cristo Jesus, o supremo Pastor, que serviu com mansidão, ensinou com fidelidade e entregou a própria vida pelas ovelhas. Honrar os pastores não é excesso, é um ato de justiça, pois reconhece a dignidade e a relevância do sagrado ministério que representam e exercem na sociedade, expressa gratidão por sua perseverança e os encoraja a permanecer firmes, lembrando que nenhum serviço feito por amor a Cristo é em vão.

Oremos pelos pastores, cuidemos deles e de suas famílias, não permitamos que sejam esquecidos e abandonados, inclusive na velhice. Que os verdadeiros pastores encontrem sempre em nós respeito sincero e cooperação.

Rev. Ericson Martins

A humildade é um reflexo de Cristo

 

A humildade nos relacionamentos se evidencia à medida que nos vemos diante de Cristo, e não diante dos homens.

A humildade nos relacionamentos nasce quando ajustamos o olhar a Cristo, pois é somente assim que lidamos com o que há de pior em nossa natureza. Diante dele, descobrimos que até mesmo as nossas virtudes são pequenas e frágeis demais.

O orgulho é intransigente e exige reconhecimento, a humildade aceita correção e se contenta com a discrição. O orgulho avalia e critica, a humildade avalia e serve.

Relacionamentos adoecem quando queremos vencer discussões, provar valor ou proteger de forma exagerada a nossa reputação, mas crescem quando estamos dispostos a ouvir e considerar a necessidade alheia antes da nossa.

Quem vive diante de Cristo aprende que não precisa buscar qualquer senso de superioridade nos relacionamentos, porque já foi alcançado pela suficiente graça de Deus, e não há nada a ser acrescentado. Isso confronta o nosso orgulho e promove cura em nossas relações.

Rev. Ericson Martins

O fim do ano chegou, mas a vida continua

 


É provável que não haja outra data em que as pessoas mais reflitam sobre o futuro do que o dia 31 de dezembro. Cada um reage de um modo, seja arranjando badulaques movidos por crendices populares, ignorando e tratando a data como uma qualquer, rendendo-se a cerimônias religiosas com reverência, na expectativa de obter bênçãos da parte de Deus, ou simplesmente aproveitando a ocasião para festas excessivas.

Apesar destas e de outras reações tão distintas, se há algo que une todas elas é o tempo. O tempo passa para todos e, para a frustração de muitos, a vida no dia 31 de dezembro continua na mesma condição no dia primeiro de janeiro.

Nossas agendas se tornam desatualizadas, mas as responsabilidades continuam as mesmas, na família, nos estudos, na profissão, na religião etc. Pode até parecer desanimador ou pessimista, mas nada é melhor para a saúde mental do que a realidade, em contraste com a fantasia que se cria em torno de determinadas datas, como a do final de ano.

Não queremos, com isto, “jogar um balde de água fria” na empolgação que resulta em tantas confraternizações alegres e legítimas, além de cultos nos quais o povo de Deus oferece ações de graças, apelos e confissões sinceras. Apenas ressaltamos que a vida continua, porque o tempo não desacelera e não para. Por isso, nenhum voto precipitado ou mandinga de final de ano pode substituir o dever de todo homem de se arrepender dos seus maus caminhos e viver pela fé em Jesus Cristo, atendendo a cada uma das suas intransferíveis responsabilidades com consciência e prontidão.

Sendo assim, a passagem de um ano para outro é a virada de uma página para outra, onde lemos a mesma verdade de que precisamos andar em obediência diária, confiando na graça suficiente de Cristo, que sustenta hoje, amanhã e em todo o tempo.

Rev. Ericson Martins

Andando com amigos sábios e piedosos

 

Sou admirador de vários aspectos da cultura nordestina e acompanho canais de pescadores amadores. Há um adágio que sempre ouço, que diz: “Quem anda com porcos, farelo come.” Ele enfatiza que a convivência constante com pessoas de maus hábitos ou condutas duvidosas tende a nos influenciar negativamente.

Todos nós sentimos, em alguma medida, a força do ambiente que vivemos, porque relacionamentos não são neutros e não somos isentos. Por isso, nossas amizades têm o poder de moldar o nosso modo de viver e as nossas escolhas.

A Bíblia afirma com clareza que caminhar ao lado de pessoas sábias pode nos tornar sábios, enquanto a proximidade constante de quem despreza a prudência nos influencia a ser igualmente espiritualmente frios, biblicamente imaturos, emocionalmente insensíveis e arrogantes em nossos relacionamentos. Não foi à toa que o apóstolo Paulo alertou que “as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co 15:33). A Escritura é clara ao chamar a nossa atenção para o fato de que andamos com quem nos identificamos ou com quem desejamos nos identificar.

Por isso, vale perguntar, com honestidade, quem temos permitido influenciar o nosso modo de ver e interpretar fatos e pessoas. Estamos permitindo que conselhos apressados e impiedosos definam nossas decisões ou temos buscado caminhar com pessoas que temem a Deus, amam a verdade e nos ensinam a ser mais quebrantados de coração?

A sabedoria bíblica nos chama a estabelecer critérios, a discernir quem realmente edifica, a fugir da ingenuidade de pensar que más influências não causarão efeito, porque essa responsabilidade é pessoal e intransferível.

“Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau” (Pv 13:20).

Concluo com um convite direto: reavaliemos nossas amizades, não para afastar pessoas com arrogância, mas para guardar a nossa fé com zelo e o nosso temor ao Senhor. Escolhamos caminhar com quem nos aproxima de Cristo, porque as sementes que plantamos hoje resultarão na colheita que faremos amanhã.

Que o Senhor, em sua graça, nos dê discernimento para escolher bem as nossas amizades.

Rev. Ericson Martins

Ética cristã nos relacionamentos

 

“Maldito aquele que fizer o cego errar o caminho. E todo o povo dirá: Amém!” (Dt 27:18)

Todos nós convivemos com pequenas injustiças todos os dias, situações em que alguém se aproveita da fragilidade de outro. Às vezes, isso acontece na família, no trabalho ou até dentro da igreja. Pode ser algo sutil, uma palavra que distorce a verdade, uma atitude que coloca alguém em risco ou em humilhação.

No contexto do Pentateuco, Israel estava às portas da terra prometida, sendo lembrado de que a aliança não era algo abstrato. O povo seria chamado a viver de modo que refletisse o caráter de um Deus que não distorce a justiça. Induzir o cego ao erro era aproveitar-se de quem não tinha meios para perceber o perigo e se proteger. Era tornar a vulnerabilidade um instrumento de vantagem egoísta, escárnio ou opressão. E isso era, e ainda é, uma grave ofensa contra os termos da aliança com Deus. Por esta razão, a maldição anunciada disciplina aquele que é maliciosamente furtivo, vingando aquele que não está em condição ou em ambiente para se defender do mal falado e praticado.

O princípio permanece claro no Antigo e no Novo Testamento. Quem conhece a Palavra e verdadeiramente teme a Deus não explora a fraqueza alheia. Não usa informação privilegiada para prejudicar, não reorganiza fatos para enganar, não articula relações para sustentar ambições por controle nas brechas e nas sombras, não se aproveita de quem está emocional, espiritual, física ou funcionalmente vulnerável. A ética do reino exige integridade diante de Deus no modo como tratamos uns aos outros.

Por isso, examinemos hoje nossos corações e relacionamentos. Perguntemos a nós mesmos se alguma palavra confundiu ou enganou quem confiava em nós. Se alguma decisão ou ação nossa foi deliberadamente dirigida para projetar superficialmente a nossa reputação, às custas de expor outros a prejuízos morais e financeiros. Ainda há tempo para o arrependimento sincero e para a reconciliação. 

O Deus que nos chama à aliança é o mesmo que renova as suas misericórdias a nosso favor, por meio de Cristo. Onde houver arrependimento, haverá restauração, do mesmo modo, onde houver verdade, haverá vida, principalmente nos bastidores.

Rev. Ericson Martins
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Culpa e misericórdia

 

“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28:13).

Desde cedo aprendemos a defender a nossa reputação a qualquer custo. Quando erramos, é quase instintivo justificar o erro, culpar as circunstâncias ou apontar falhas nos outros. Por medo da culpa e por causa do orgulho, acabamos produzindo uma espiritualidade superficial, na qual o pecado é tratado como deslize e não como ofensa contra Deus.

O livro de Provérbios mostra que a sabedoria prática nasce do temor do Senhor (Pv 1:7). Nesse contexto, o verso 13 do capítulo 28 apresenta dois caminhos, o da negação e o da confissão. O primeiro leva à estagnação espiritual, porque quem encobre o pecado vive preso a uma aparência de justiça. O segundo conduz à restauração, pois o arrependimento é o receptivo da misericórdia de Deus. O verbo hebraico “deixar” comunica abandono real, ruptura com o pecado, não mera admissão verbal, lembrando que a confissão genuína não busca aliviar a consciência, mas a reconciliação com Deus.

Na prática, isso exige coragem para assumir a própria culpa, pedir perdão e mudar de rota. Portanto, o cristão maduro não foge da verdade, porque sabe que esconder o pecado é se tornar escravo dele. E somente por meio de Cristo é possível prosperar, sendo verdadeiramente liberto das angústias e das reputações artificiais que o pecado tenta sustentar.

Rev. Ericson Martins
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Não há homem justo

 


“Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque” (Eclesiastes 7:20)

A afirmação de Eclesiastes 7:20 encara nossos olhos com a realidade do nosso pecado e da queda do estado de retidão original. Salomão observou e concluiu que nenhum ser humano, por mais íntegro que pareça, vive sem pecado. Essa constatação nasce da própria lógica do Antigo Testamento (Sl 14:2-3) onde a santidade de Deus revela a indignidade moral do homem e a insuficiência dos seus mais altos esforços para recuperá-la.

A teologia reformada chama isso de depravação total. Não significa que todos são tão maus quanto poderiam ser, mas que toda a natureza humana foi afetada pelo pecado, tornando todos os homens, desde a sua concepção, corrompidos (Sl 51:5; Gn 8:21), culpados e justamente condenados (Rm 5:18).

A palavra hebraica ’adam, usada no contexto de Eclesiastes, reforça que o problema é universal. Não há exceções. Essa universalidade reaparece no Novo Testamento, quando Paulo declara que todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3:23). Ele também ensina que, em nossa natureza, não buscamos espontaneamente o bem que agrada a Deus (Rm 3:10-12).

Diante disso, esta doutrina não pretende levar ao desespero, mas à humildade. A depravação total mostra que ninguém se aproxima de Deus por méritos próprios. Toda transformação depende da graça que ele concede em Cristo, que renova o coração pelo agir do Espírito.

Se Deus intervém soberanamente com graça, então há esperança real de mudança. A confissão da nossa incapacidade abre espaço para a dependência sincera da Palavra de Deus, que nos conduz a uma vida moldada pela justiça que vem somente da parte dele, pela fé exclusiva em Jesus Cristo.

Como está escrito: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1).

Rev. Ericson Martins

Mulheres e o ensino bíblico na igreja

 


A Bíblia fala sobre limites na instrução pública na igreja, mas não ensina que mulheres não possam ensinar em qualquer contexto. O que existe é uma ordem específica para o culto congregacional. A passagem mais clara é 1Timóteo 2:12:

“E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem, esteja, porém, em silêncio”

Paulo trata da ordem da igreja reunida, não de classificação etária alternativa, infantis ou jovens ou adultos, de gêneros masculino ou feminino. Ele não disse que mulheres não podem ensinar de modo absoluto, mas que não devem exercer ensino autoritativo e governante sobre a igreja, função atribuída aos presbíteros, conforme a qualificação apresentada em 1Timóteo 3:1-7. Entre esses presbíteros, alguns se dedicam com especialidade ao ensino da Palavra, como Paulo registra em 1Timóteo 5:17.

Em 1Coríntios 14:33-35, Paulo regula o culto usando o mesmo princípio de ordem e submissão. O contexto não despreza a participação ativa das mulheres na vida da igreja, apenas estabelece limites funcionais, incluindo a restrição ao exercício final de autoridade pela instrução pública.

O próprio contexto bíblico confirma isso. Encontramos mulheres ensinando, direta ou indiretamente. Priscila, destacada ao lado de Áquila, instruiu Apolo no caminho de Deus em Atos 18:26. Apolo era um pregador preparado, descrito como “homem eloquente e poderoso nas Escrituras” em Atos 18:24, mas aprendeu com humildade aquilo que ainda não compreendia, inclusive por meio de Priscila.

Paulo também orientou as mulheres idosas a ensinarem as jovens recém-casadas em Tito 2:3-4, o que mostra que o ensino feminino não se limita a crianças.

Olhando atentamente para o contexto das Escrituras, vemos ainda mulheres exercendo ensino público em situações específicas, como Miriã em Êxodo 15:20-21, Hulda em 2Reis 22:14-20, as filhas de Filipe em Atos 21:9 e Débora, profetisa e juíza, em Juízes 4:4-5. Débora não é um modelo normativo para o governo da igreja no Novo Testamento, mas evidencia que Deus usa mulheres para orientar adultos em determinados momentos da história. Isso é semelhante ao que ocorre com tantas missionárias e evangelistas que servem onde homens crentes não assumem o trabalho, bem como mulheres fiéis que conduzem devocionais em diversas ocasiões, aulas na EBD, estudos em pequenos grupos, reflexões bíblicas em redes sociais e palestras em congressos.

Paulo limitou o ensino com autoridade pastoral na igreja reunida aos presbíteros, especialmente aos docentes. Isso não significa que mulheres não possam ensinar em geral ou que devem se limitar apenas às crianças. O foco da instrução bíblica é a ordem e o governo autoritativo da igreja, entregues a homens crentes, biblicamente qualificados e eleitos, e não a capacidade ou dignidade das mulheres.

Na Igreja opiniões pessoais não devem ser recebidas e tratadas como guias normativas, somente as Escrituras pelas Escrituras.

Rev. Ericson Martins
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O clamor da Reforma Protestante


A Reforma Protestante foi um clamor por retorno. Não nasceu do desejo de inovação, mas de arrependimento. Martinho Lutero e tantos outros não quiseram reinventar a fé, e sim restaurar a Igreja à sua fidelidade original, quando a Palavra de Deus era a única regra de fé e prática. Eles olharam para uma cristandade corrompida por tradições humanas, ritos vazios e poder institucional, e ergueram grande voz clamando: somente as Escrituras!

Portanto, o que motivou os reformadores não foi rebeldia, mas piedade. Eles discerniram que a Igreja havia se afastado do Evangelho simples e puro anunciado por Cristo e pelos apóstolos. Assim, reafirmaram a centralidade da graça e da fé, lembrando que “pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2:8). Essa convicção devolveu à Igreja o foco em Cristo, o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2:5).

Celebrar mais de cinco séculos da Reforma é, portanto, mais do que relembrar um marco histórico; é examinar e perguntar: nossa fé está firmada na suficiência das Escrituras? Nossos cultos, sermões e ministérios ainda nascem e são mantidos irrefutavelmente pelo compromisso com a Palavra de Deus ou têm sido moldados pelas pressões da cultura dos nossos dias? O mesmo Espírito que moveu os reformadores continua chamando os verdadeiros crentes a retornar à pureza do Evangelho.

Hoje, o desafio permanece o mesmo. A Igreja ainda enfrenta a sedução da politicagem, da corrupção e de falsos pregadores da Palavra de Deus, mas o clamor continua o mesmo: arrependa-se e volte-se às Escrituras!

Que cada cristão se comprometa com a verdade revelada por meio delas, vivendo com humildade e coragem para resistir a tudo que obscurece o brilho da graça, porque “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3:16). Que essa seja, novamente, a nossa confissão e o nosso compromisso.

Rev. Ericson Martins

Não despreza a sua bíblia

 

Em todos os onze anos em que coordenamos equipes missionárias no interior do Peru, entre 2002 e 2013, fomos impactados por cenas que não apenas nos levaram a fortes emoções, mas também nos despertaram para a viva consciência do poder do Evangelho. Como parte da missão, éramos preparados para doar bíblias àqueles que não tinham, depois de visitarmos seus lares e falarmos do testemunho de Cristo. No último ano, em 2013, especificamente na cidade de Ayacucho, uma idosa de língua quéchua (foto) marcou profundamente a nossa memória.

A notícia da presença de missionários percorreu toda uma zona periférica da cidade e, ao passarmos próximos da casa dessa mulher, ela começou a gritar pedindo uma visita. Ao chegarmos, ouvimos suas histórias, falamos sobre o Evangelho e oramos. Ao final, perguntamos se ela possuía uma bíblia, ao que respondeu não ter. Então, entregamos uma. Em lágrimas, tomou-a em suas mãos e começou a glorificar a Deus por tamanha bênção! Aquela cena resumiu o que tantas vezes testemunhamos nos Estados de Cusco, Apurímac, Madre de Dios e Ayacucho: corações que compreendiam o valor da Palavra de Deus.

Em contraste, muitos têm várias bíblias em casa, mas raramente as abrem. A mesma Palavra que em outras terras é recebida com lágrimas e gratidão, entre nós, tantas vezes é deixada esquecida sobre uma estante. Não despreze a sua bíblia. Ela é o tesouro de Deus em suas mãos, o meio pelo qual ele fala, corrige, consola e transforma.

Valorize a sua bíblia como quem segura um presente do próprio Senhor. Leia-a diariamente, com coração humilde, sabendo que nela estão revelados o caráter e a vontade de Deus. Cuide dela, mas, sobretudo, permita que ela cuide de você. Que jamais nos falte a mesma reverência daquela mulher de Ayacucho, pois o maior desprezo pela Palavra de Deus não é deixá-la sem capa, mas deixá-la sem uso.

Rev. Ericson Martins

Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus

 


Como foi para o profeta Isaías (Is 6:2-3), no cenário glorioso revelado ao apóstolo João somos levados a contemplar a realidade da adoração eterna diante do trono em Apocalipse 4:8. Os seres viventes proclamam, sem cessar, a santidade absoluta de Deus. A visão não apenas descreve criaturas celestiais em adoração, mas abre nossos olhos para o centro de toda a criação: a dignidade excelsa daquele que está assentado no único trono real.

O Livro de Apocalipse nos mostra que a santidade de Deus não é apenas uma virtude entre outras, mas a essência que permeia tudo o que ele é e faz. A palavra grega hagios significa separado, distinto, único. Ele está acima de tudo o que foi criado, é o Todo-poderoso, não está sujeito às limitações do tempo e é imutável, cuja existência é absolutamente distinta de tudo. Por isso, a proclamação incessante de que ele é santo significa que a adoração no céu, em virtude de sua santidade, é inesgotável.

Essa cena nos confronta com a realidade de que toda a criação está rendida diante de sua glória. Não há espaço para vanglória humana, pois a dignidade está somente nele. Aqueles que já estão na presença do Senhor não cessam de declarar o que ele é, e nós, mesmo ainda caminhando pela fé, somos chamados a unir nossas vozes a esse louvor eterno, rendendo todos os dons, vocações e realizações pessoais à glória dele.

A contemplação da santidade de Deus afeta o modo como nos vemos e deve transformar o nosso viver, como aconteceu com o profeta Isaías que, diante da mesma revelação, reconheceu sua própria impureza (Is 6:5). Quando entendemos quem Deus é, compreendemos melhor quem somos e o quanto necessitamos de sua graça.

Assim, nossa vida deve refletir a reverência que o céu já expressa continuamente. Não há nada mais importante e prazeroso do que dar glória, honra e ação de graças àquele que se encontra sentado no trono, ao que vive pelos séculos dos séculos. Todos os nossos bens, carreira profissional e outras ambições terrenas perdem seu completo sentido ao contemplarmos a santidade de Deus, unindo nossas vozes ao coro celestial que não se cansa de dizer: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, aquele que era, que é e que há de vir”.

Adorar a Deus em sua santidade é reconhecê-lo como digno de todo louvor, em cada experiência da vida, seja boa ou ruim. Nossa maior alegria é nos prostrarmos diante de sua glória, que nunca se esgota.

Rev. Ericson Martins

O paradoxo humano entre paz e conflito


Por que desejamos tanto a paz, mas, ao mesmo tempo, temos tanta dificuldade em lidar com ela quando chega?

Essa contradição revela a complexidade do coração humano: desejamos a harmonia, mas somos constantemente lembrados de nossas limitações, de nossas feridas e da presença do pecado em nós e ao nosso redor.

O homem vive em guerra

No princípio, o homem entrou em conflito com o seu Criador e, desde então, passou a ofender as pessoas mais próximas. Primeiro ofendeu a mulher, depois um irmão ao outro. Ainda hoje é assim.

O pecado é a causa de todos os conflitos de relacionamento. O coração tornou-se sede de inveja, ciúme, vingança, descontentamento, rivalidade etc.

Mesmo quando o ambiente está em paz, o homem continua em guerra consigo mesmo e, sobretudo, com Deus. Portanto, nem todo conflito é resultado apenas de nossas ações, mas também do pecado presente no coração de outros.

Interpretação confusa

Em geral, a paz promove estabilidade nas rotinas, solução diligente das dificuldades, convivência harmoniosa e ausência de crises graves nos relacionamentos.

Infelizmente, aquilo que é tão desejado pode ser, por muitos, mal interpretado como acomodação, perda de paixão, desmotivação ou falta de interesse pelo crescimento.

Essas interpretações encontram respaldo em mentes inquietas, que não suportam a paz, mas que também não sabem conviver com a paz alheia. Assim, perturbam todos ao seu redor, pois a “guerra” exterior revela o próprio estado interior diante de Deus e dos homens.

O que fazer?

A sabedoria divina oferece diversas orientações práticas. Somente em Romanos 12:9-21, encontramos muitas exortações, entre elas a de pagar o mal com o bem.

Naquilo que depende de nós, devemos agir sem expectativa de retorno. Quanto ao mais, precisamos aprender três lições:

a) Na vida cristã, não somos capazes de satisfazer todas as expectativas que os outros criam a nosso respeito, exigindo que sejamos e ofereçamos o que desejam. Cada um se encontra em diferentes estágios do caminho da santificação. Por isso, nem toda crítica recebida é acompanhada de misericórdia e respeito por nossa humanidade, identidade, individualidade e vocação. Logo, não merece nossa atenção.

 

b) Na vida cristã, existem responsabilidades pessoais e coletivas. As coletivas são compartilhadas, mas as pessoais são intransferíveis. Nesse sentido, não carregamos a culpa pela intransigência, imaturidade, ingratidão ou antipatia dos outros contra nós. Cada um está diante de Deus e cada um haverá de prestar contas.

 

c) Na vida cristã, somos moldados por meio de muitas dificuldades, em razão da nossa própria natureza pecaminosa. Porém, mudar os outros é tarefa ainda mais difícil, em alguns casos até impossível. Por isso, antes de nos angustiar com o mal que sofremos, devemos nos preocupar em tratar o mal que nós mesmos praticamos, buscando no Espírito vigor para crescer na fé, na santificação e no caráter que nos identifica com Cristo.


Viver em paz é um exercício diário de humildade e vigilância, lembrando que cada desafio é oportunidade de crescimento. Não se trata apenas de evitar conflitos, mas de cultivar no coração atitudes de perdão, compreensão, respeito e amor pelas pessoas com as quais convivemos. A paz verdadeira se constrói quando aprendemos a confiar em Deus, nos submetendo ao Espírito Santo para transformar o nosso caráter, fortalecer a nossa fé e nos conduzir a seguir os passos de Jesus nos relacionamentos.

Rev. Ericson Martins

Charlie Kirk agora vive plenamente

 


Nesta semana, a imprensa internacional repercutiu o covarde assassinato de Charlie Kirk, em uma universidade de Utah, nos EUA. O crime teria sido resultado da intolerância política, eco de uma prática histórica naquele país, que já encontra investidas e graves ameaças também no nosso.

Infelizmente, essa intolerância aumenta à medida que se esgotam as alternativas para fazer prevalecer opiniões pessoais, somadas a uma obstinada ideologia política viciada, que acusa seu opositor de extremista por estar no outro extremo. Essa polarização tem sufocado princípios primitivos de civilidade e substituído a divergência pela violência. Isso poderá vir a arrastar, de modo sutil, a livre expressão de fé, a partir da interpretação que dela se faz em relação a cenários políticos.

Na fatídica tragédia que interrompeu horrivelmente a vida do jovem Charlie, não foram interrompidos apenas seus debates com a juventude, mas também o testemunho de sua fé em Jesus Cristo, cujo sangue clama por justiça.

Não me resta qualquer dúvida de que os que têm fome e sede da imparcial e implacável justiça hão de ser fartos na ocasião do glorioso retorno do Senhor, em breve!

Charlie, como tantos outros cristãos, foi vítima da covardia e da intolerância violenta, mas agora vive a plenitude daquilo que a morte não é capaz de privar, como já disse o saudoso Rev. John MacArthur Jr.: “Tudo o que a morte pode fazer a um crente é entregá-lo a Cristo”.

Que Deus conforte Erika Frantzve, seus dois filhos, familiares e amigos, concedendo-lhes uma confiança ainda mais vigorosa na vitória de Cristo sobre a morte!

Rev. Ericson Martins