Santidade sem desespero e graça com responsabilidade

 


Recentemente estive pregando com base em 1João 2:1-2. O texto bíblico confronta a prática recorrente de relativizar culpas pessoais e de tratar o pecado, qualquer que seja, como algo secundário ou irrelevante. Essa postura, ainda que comum, não produz paz verdadeira nem restauração espiritual.

Por outro lado, há quem viva sob o peso de uma inquietação constante. São pessoas conscientes de suas faltas, mas incapazes de encontrar descanso para a consciência, sobrecarregada por acusações internas decorrentes do pecado cometido. Entre a banalização do pecado e o desespero silencioso, muitos tentam seguir a vida cristã sem clareza do caminho bíblico.

É exatamente nesse ponto de tensão que João escreve. Ele se dirige a crentes envolvidos em conflitos internos e externos, mas sinceramente desejosos de permanecer em comunhão com Deus. Sua palavra não suaviza a gravidade do pecado, mas também não ignora a fragilidade humana.

Na passagem ele deixa claro que a finalidade do ensino não é acomodar o pecado, mas combatê-lo. Ele escreve para que os crentes não pequem, pois, de acordo com o contexto, a comunhão com a santidade de Deus continua sendo o alvo. Contudo, João conhece a fragilidade dos seus leitores e não os empurra para o desespero. Ele afirma que quando um crente peca, mas confessa e se arrepende, há um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Trata-se de alguém que fala em favor do culpado e o consola com base em justiça real, não em condescendência emocional.

João sustenta essa segurança na obra objetiva de Cristo (1Jo 2:2). Claramente, a base do perdão não está no arrependimento em si do que peca, mas no sacrifício eficaz de Cristo, que satisfez plenamente a justiça de Deus. Assim, o crente não é chamado a negar o pecado, mas a enfrentá-lo à luz da cruz.

Quem compreende que tem um Advogado não brinca com o pecado, mas também não foge de Deus e da comunhão com a igreja quando cai. 

Somos chamados a viver em santidade, sustentados por uma graça que não nos absolve para pecar, mas nos restaura para obedecer, pois, permanecer em Cristo é a única resposta fiel a uma obra tão perfeita e suficiente.

Rev. Ericson Martins

0 comentários: