Glória Somente a Deus !


"Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um." Rm. 12:3

         O Império Romano fora um dos mais impetuosos impérios autocráticos na história da humanidade. Julgava-se o mais poderoso na face da terra. Estava cheio de altivez e autoconfiança suficiente para praticar todo tipo de crueldade sem temor pela Lei, pois se sentia acima de toda Lei. O imperador chegava ao ponto de exigir culto afirmando ser deus. Chegara a perseguir os cristãos porque negavam prestar culto a "César" (denominação de autoridade imperial), justificando que somente Deus é digno de toda adoração.

         O apóstolo Paulo faz uma clara advertência aos cristãos a respeito do orgulho. Sua preocupação era que os cristãos se assemelhassem com os pagãos na idolatria (v.2); não cultuando objetos frívolos ou o imperador, mas a si próprios, e assim, confundissem o testemunho cristão com o desdém do espírito romano. Ao invés de serem guiados pelos afetos e admiração das pessoas, deveriam dar honras somente a Deus (v.1) incondicionalmente. Para ele, esta é a solução contínua para o orgulho arraigado na natureza humana. Quem não se humilha, abrindo mão do louvor que vem dos homens como uma condicional de bem-estar, se mantém neste universo pernicioso de pensar ser melhor ou mais importante que outros. Tal pernosticidade é a semente da idolatria.

         Paulo argumenta no verso 4 que o Corpo de Cristo constitui muitos membros, cada um apto para uma função. Há uma interdependência entre eles e, portanto, ninguém deve pensar ser mais importante que o outro ou almejar isto pelas discretas maneiras de autopromoção, porque o Corpo é governado pela Cabeça, que é Cristo (v.5). Ele é quem dá funcionalidade aos membros do Corpo, ninguém é autônomo ou responsável de algum resultado por si mesmo. A glória é só de Cristo.

         Uma pessoa orgulhosa, por se julgar melhor que os outros, não admite o anonimato para que a evidência esteja somente em Deus e Suas exclusivas obras. É capaz de, discretamente, induzir pessoas a focarem também suas habilidades como se fossem condicionantes da ação de Deus. Tal prepotência precede o isolamento de relacionamentos profundos. O capítulo 12 de Romanos fala o tempo todo de como deve ser regido os relacionamentos inter-pessoais. Na perspectiva de Paulo, a mola propulsora é o amor, mas detalhadamente recomenda ser (1) preciso admitir que a Cabeça do Corpo, Cristo, é o único merecedor de honras, diante das quais somos reduzidos, muitas vezes, à humilhação de não termos qualquer reconhecimento sobre nossas ações para não nos vã gloriar-nos (vv.1, 16 cf. Mt. 23:12; Gl. 6:3; Fl. 2:3); (2) é necessário humildade para reconhecer a lei da proporcionalidade que iguala as diversas funções do Corpo em nível de importância (vv.4-5 cf. Lc. 12:48; 1 Cor. 12:23); (3) e dar mais que receber dos homens para receber somente de Deus a recompensa (vv.19-20 cf. Tg. 4:10; 1 Pd. 5:6). Todos os verbos usados pelo apóstolo estão no modo imperativo afirmativo, na 2ª pessoa do plural. Isto significa que se trata de princípios inegociáveis atribuídas aos leitores da carta.

         Se alguém almeja ser instrumento da glória de Deus deve abandonar toda forma de orgulho (Pv. 3:34 e 16:18) e viver conformado em servir sem expectativa de reconhecimento. Quanto menor for sua necessidade de evidência, maior será a atenção das pessoas na ação de Deus, sobretudo em quem Ele é (Jo. 3:30).

         Com meu carinho de sempre,


Ericson Martins
contato@projetoperu.com

_____________________________
Deixe seu recado clicando em "Comentários"






Tende Bom Ânimo


"Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo" Jo. 16:33

          O sofrimento é a experiência que todos já viveram ou viverão se é que não estão vivendo. Jesus advertiu : "No mundo, passais por aflições ...". A questão não é se passaremos, e sim, como devemos passar por elas : "... mas tende bom ânimo; eu venci o mundo". A maioria, em momentos de aflições já se perguntou "por que, como cristãos, sofremos ?". A ausência de uma resposta clara a estas situações aversivas, às quais somos submetidos durante a vida, possibilitam desânimo (falta de vigor para resistir os efeitos negativos da aflição). Jesus quis prevenir os discípulos quanto a situações de intensas repressões externas que se levantariam contra eles e como deveriam agir.

          No sistema de valores governado pelas forças propulsoras do pecado, neste "mundo" onde a lei é submetida pelos devaneios absurdos da parcialidade, onde a competição por evidência sinonimiza ganância no mérito da insegurança, ... sofrer é necessário à luz das Escrituras. É necessário que colunas erigidas para sustentar a distância da verdadeira espiritualidade ensinada pelo exemplo de Jesus, começam a cair e a sensação é que "a casa está caindo" mesmo em alguns momentos da nossa história. Por muitos motivos sofremos como cristãos. 

          Há pessoas que fazem votos a Deus para que Ele cumpra Suas promessas e se passar da data determinada, olham para Ele com desconfiança e se tornam pretensiosos; outros, não conseguem cumprir seus próprios votos e se sentem perseguidos por Deus por causa da "inadimplência", como se a relação do Senhor fosse pelos padrões da vigilância e chantagem, ignorando completamente que o sacrifício de Jesus na cruz pagou tudo, sem deixar dívidas para trás, inclusive seus votos não cumpridos. Em suma, são a causa das calamidades, sofrem por tentar conformar Deus aos padrões de relacionamentos pecaminosos dos homens, sem qualquer compreensão da graça. Mas outros sofrem por confessar, não com seus lábios em cerimônia religiosa, mas com testemunho público e privado sua fé em Deus. São perseguidos por causa da justiça. Sofrem calamidades, perdas altamente significantes, retaliações discretas, abandonos de pessoas que amam, são empurrados às dívidas e assim sentem-se vitimas reais de um processo aparentemente descontrolado por não estarem dispostos negá-la.  

          O texto desta reflexão destaca a centralidade de Jesus no meio das provações. Ele dá paz aos que sofrem por causa da justiça. Não podemos desassociar o verso 33 do verso 32. Ele seria preso, condenado injustamente e crucificado, logo seria abandonado pelos seus discípulos, mas não pelo Pai. Essa união o fortaleceria no mais profundo sofrimento. Quando estamos sob profundas tensões facilmente perdemos a segurança para decisões persistentes e não conseguimos enxergar o caminho que se deve seguir. Esta paz ou confiança de que Deus soberanamente tornará o "mal" em bem permanente é a bússola que aponta a direção segura e estável reservada para aqueles que confiam em Deus pela reconciliação de Cristo. Esta paz é o princípio da perseverança. É a firme convicção de que Deus está presente para garantir o bem que ao mundo exterior da experiência humana é mal, mas que no fim seremos postos sobre as provações gloriosamente (2Cor. 4:16-17). Jesus disse : "... tende bom ânimo; eu venci o mundo". Os discípulos eram testemunhas de que Jesus sofrera inúmeras pressões em diversos graus (tentações - Hb. 4:15 e perseguições - Jo. 15:20), porém, resistiu firme até a cruz e cumpriu Sua missão.

          Se estiver sofrendo como cristão, confie em Deus a ponto de resistir às tentações da precipitação. Espere, não haja com "cabeça quente", pois logo tudo ficará claro o suficiente para tomar a decisão certa. As aflições são transitórias (2Cor. 4:17), mesmo que no meio delas seja difícil de acreditar. No fim, olha-se para trás e tudo faz sentido, então, aguarde em confiança, persevere. Que a paz de Quem dela nos deu para perseverar seja ativa em seu coração !

          Com meu amor,


Ericson Martins
contato@projetoperu.com

_____________________________
Deixe seu recado clicando em "Comentários"