
O Império Romano fora um dos mais impetuosos impérios autocráticos na história da humanidade. Julgava-se o mais poderoso na face da terra. Estava cheio de altivez e autoconfiança suficiente para praticar todo tipo de crueldade sem temor pela Lei, pois se sentia acima de toda Lei. O imperador chegava ao ponto de exigir culto afirmando ser deus. Chegara a perseguir os cristãos porque negavam prestar culto a "César" (denominação de autoridade imperial), justificando que somente Deus é digno de toda adoração.
O apóstolo Paulo faz uma clara advertência aos cristãos a respeito do orgulho. Sua preocupação era que os cristãos se assemelhassem com os pagãos na idolatria (v.2); não cultuando objetos frívolos ou o imperador, mas a si próprios, e assim, confundissem o testemunho cristão com o desdém do espírito romano. Ao invés de serem guiados pelos afetos e admiração das pessoas, deveriam dar honras somente a Deus (v.1) incondicionalmente. Para ele, esta é a solução contínua para o orgulho arraigado na natureza humana. Quem não se humilha, abrindo mão do louvor que vem dos homens como uma condicional de bem-estar, se mantém neste universo pernicioso de pensar ser melhor ou mais importante que outros. Tal pernosticidade é a semente da idolatria.
Paulo argumenta no verso 4 que o Corpo de Cristo constitui muitos membros, cada um apto para uma função. Há uma interdependência entre eles e, portanto, ninguém deve pensar ser mais importante que o outro ou almejar isto pelas discretas maneiras de autopromoção, porque o Corpo é governado pela Cabeça, que é Cristo (v.5). Ele é quem dá funcionalidade aos membros do Corpo, ninguém é autônomo ou responsável de algum resultado por si mesmo. A glória é só de Cristo.
Uma pessoa orgulhosa, por se julgar melhor que os outros, não admite o anonimato para que a evidência esteja somente em Deus e Suas exclusivas obras. É capaz de, discretamente, induzir pessoas a focarem também suas habilidades como se fossem condicionantes da ação de Deus. Tal prepotência precede o isolamento de relacionamentos profundos. O capítulo 12 de Romanos fala o tempo todo de como deve ser regido os relacionamentos inter-pessoais. Na perspectiva de Paulo, a mola propulsora é o amor, mas detalhadamente recomenda ser (1) preciso admitir que a Cabeça do Corpo, Cristo, é o único merecedor de honras, diante das quais somos reduzidos, muitas vezes, à humilhação de não termos qualquer reconhecimento sobre nossas ações para não nos vã gloriar-nos (vv.1, 16 cf. Mt. 23:12; Gl. 6:3; Fl. 2:3); (2) é necessário humildade para reconhecer a lei da proporcionalidade que iguala as diversas funções do Corpo em nível de importância (vv.4-5 cf. Lc. 12:48; 1 Cor. 12:23); (3) e dar mais que receber dos homens para receber somente de Deus a recompensa (vv.19-20 cf. Tg. 4:10; 1 Pd. 5:6). Todos os verbos usados pelo apóstolo estão no modo imperativo afirmativo, na 2ª pessoa do plural. Isto significa que se trata de princípios inegociáveis atribuídas aos leitores da carta.
Se alguém almeja ser instrumento da glória de Deus deve abandonar toda forma de orgulho (Pv. 3:34 e 16:18) e viver conformado em servir sem expectativa de reconhecimento. Quanto menor for sua necessidade de evidência, maior será a atenção das pessoas na ação de Deus, sobretudo em quem Ele é (Jo. 3:30).
Com meu carinho de sempre,
Ericson Martins
contato@projetoperu.com
_____________________________
Deixe seu recado clicando em "Comentários"

