O Espírito Santo no Novo Testamento


A obra do Espírito Santo no Novo Testamento é diferente da que vimos no Antigo Testamento. Ele agora habita nos corações dos crentes:


“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros” (Jo 14:16-18)


No Antigo Testamento a palavra que traduz “Espírito” (com referência ao Espírito Santo) é ruwach, conforme já vimos. A palavra correspondente na Septuaginta e que é usada com esta mesma finalidade no Novo Testamento é: πνεύματός, pneumatós (de πνεῦμα, “pneuma”). Esta palavra significa: “espírito”, “vento”, sendo que pneu- refere-se ao “movimento dinâmico do ar” e o sufixo -ma denota o resultado desta ação com ênfase subjacente sobre seu poder inerente.[1]
A palavra pneuma ocorre 379 vezes no Novo Testamento[2]. Em cada Evangelho, Livro, Epístola e Carta neotestamentária é encontrada referência à Pessoa e obra do Espírito Santo, com exceção de 2 e 3 João; contudo, aspectos claros da santificação como uma função proeminente do Espírito Santo são tratados nestas cartas, como o caso de Demétrio quando diz que “até a própria verdade” lhe dá bom testemunho (3 Jo 12). O emprego mais frequente de pneuma refere-se ao Espírito Santo.
            Este estudo tem a finalidade de esboçar rapidamente a presença e principais obras do Espírito Santo no Novo Testamento.


A. O BATISMO COM E O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO SANTO.

No Antigo Testamento Joel (2:28) profetizou que o Espírito Santo seria derramado sobre os filhos de Israel. No dia de Pentecostes esta profecia se cumpriu (At 2:1-4, 9-11 cf. 16-21). Este evento marcou o primeiro derramamento do Espírito Santo “sobre toda a carne” (Jl 2:8) em Jerusalém, após a ressurreição de Jesus. Ele inaugurou a “Igreja que é a comunidade na qual Jesus, através do Espírito Santo, opera os seus atos poderosos para encher o mundo todo com a mensagem do Evangelho”[3].
Lucas registra em Atos 1:4-11 uma promessa de Deus pelo Filho: o batismo em/com Espírito Santo (At 1:4-5), efetivando assim, a era escatológica trazida por Jesus (At 1:6-11). O derramamento do Espírito Santo é a promessa de Deus a todos os cristãos (At 2:4). Ler este texto (At 2:4) isoladamente pode gerar interpretações bastante equivocadas, é preciso considerar o seu contexto (At. 1-3) e a intenção do seu autor. O objetivo da vinda do Espírito, segundo Atos 1:8 é, também, capacitar a Igreja para a missão de transmitir as boas-novas de salvação para o mundo. Ser batizado com o Espírito (At 1:5 cf. Mt 3:11, cf. Is 32:15 e Jl 2:28-29) é tornar-se de Cristo (Jo 7:38-39; At 2:38; 1 Co 12:13), pois o poder do Espírito é regenerador, vivificando o homem morto pelo pecado e transformando-o em herdeiro da promessa (Rm 8; 1 Co 12:12-14 e Gl 3:14). Este batismo com o Espírito consolida a redenção do Pai pelo Filho (Gl 3:26-27).
Primeiro Lucas relata o batismo com o Espírito (At 1:5), somente depois o derramamento do Espírito (At 1:8). O batismo com o Espírito é o poder regenerador que atua no homem morto em seus pecados, e o seu derramamento, ou enchimento, ou revestimento é o poder mobilizador para a tarefa de testemunho de Jesus Cristo ao mundo (At 2:16-21, 4:8, 6:2-4, 11:22-24, 13:9-12). Também, o enchimento do Espírito está associado com sabedoria e discernimento da vontade de Deus (v. 17), a liberdade para tal (v. 18), louvor e ação de graças (v. 19-20) e mútua submissão (v. 21).


B. O ESPÍRITO SANTO DÁ PODER AO CRENTE.

Leia antes: Lucas 1:67, 9:1-2, 24:49; Marcos 6:7-13; Atos 1:8, 4:8 9:17; 1 Coríntios 2:4; Efésios 3:16.
Os apóstolos receberam poder da parte de Jesus para exercerem autoridade sobre os espíritos imundos e expulsá-los, para curar toda espécie de doença e enfermidade, e para pregar o Evangelho do reino de Deus (Mt 10:17-20). Pedro tinha poder, da parte do Espírito, para curar o homem coxo (At 3:1-11) na Porta Formosa do templo. Este poder é o cumprimento da promessa de Jesus aos seus discípulos na Grande Comissão.


C. O ESPÍRITO SANTO LEVA O HOMEM A CONSCIÊNCIA DO PECADO.

Leia antes: João 16:7-12; Atos 2:37.
Os escribas e fariseus trouxeram a Jesus uma mulher flagrada em adultério. Eles tentaram Jesus alegando que segundo a lei de Moisés ela deveria ser apedrejada até a morte. Porém, Jesus disse aos acusadores da mulher: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra (Jo 8:7). Ouvindo isto, os acusadores, “acusados pela própria consciência, foram se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até os últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava” (Jo 8:9).


D. O ESPÍRITO SANTO GUIA HOMEM AO CONHECIMENTO DE JESUS.

Leia antes: João 14:26, 15:26, 16:13; Atos 5:29-32; 1 Coríntios 12:3.
Paulo, antes Saulo, foi um perseguidor dos cristãos. Ele conheceu Jesus a caminho de Damasco onde perseguiria cristãos. Contudo, o conhecimento que recebeu de Jesus o tornou um discípulo fiel e pregador eficaz do Evangelho.


E. O ESPÍRITO SANTO REVELA A VERDADE.

Leia antes: João 16:13; 1 Coríntios 2:11-12; 2 Coríntios 3:3, 18; Efésios 3:3-6.
O Espírito Santo liberta-nos da ignorância para conhecermos a verdade de Deus. Quando ele vem, o homem “natural” que não discerne as coisas do Espírito torna-se “espiritual” e “julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém”; pois ter a “mente de Cristo” é ter a capacidade dada pelo Espírito de entender a vontade de Deus, discernir as coisas e julgá-las com base neste entendimento (1 Co 2:16).


F. O ESPÍRITO SANTO INTERCEDE PELO CRENTE.

Leia antes: Zacarias 12:10; Romanos 8:26-27; Efésios 6:18; Judas 20.
O Espírito Santo assiste os crentes em momentos de fraqueza, intercedendo segundo a vontade de Deus por eles, pois não sabem orar como convém.


G. O ESPÍRITO SANTO SANTIFICA O CRENTE.

Leia antes: Romanos 9:1-2, 14:17, 15:16; 2 Tessalonicenses 2:13; 1 Pedro 1:2.
Uma das funções mais predominantes do Espírito é a de promover o crescimento espiritual dos crentes. O crescimento espiritual é obra do Espírito (Gl 3:2-5). Não devemos dizer, com base nisso, que não temos nenhuma responsabilidade no assunto. Na verdade, somos chamados para “semear para o Espírito” - isto é, agir de forma que alcancemos crescimento espiritual (Gl 6:6-10).
O Espírito Santo capacita os crentes para superar seus hábitos pecaminosos (Rm 8:3-6, 12-13). É andando no Espírito que são aniquiladas gradativamente as obras da carne para a manifestação do fruto do Espírito (Gl 5:16-25 cf. Ef 5:9).


H. O ESPÍRITO SANTO FAZ O CRENTE PRODUZIR FRUTO ESPIRITUAL.

Leia antes: Gálatas 5:22-23; Apocalipse 22:1-2.
Os cristãos devem dar fruto espiritual como: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”; para mostrar que eles são verdadeiros cristãos (qualidades de caráter). Maus cristãos não têm frutos dignos de louvor, mas obras contra as quais o Espírito milita (Gl 5:17) e evidenciam morte (Gl 6:8).


H. O ESPÍRITO SANTO DÁ VÁRIOS DONS ESPIRITUAIS.

Leia antes: 1 Coríntios 12:4, 8-12; Efésios 4:8-16.
O Espírito Santo concede diversos dons, para diversos serviços e diversas realizações “visando a um fim proveitoso”, ou seja, o aperfeiçoamento dos crentes para serviço cristão e a edificação da Igreja.



Com amor,
Ericson Martins
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[1] DITNT, p. 713
[2] Concordância Fiel do Novo Testamento, 4151, p. 656-659
[3] DITNT, p. 726

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