Todo conflito tem sua raiz nos conflitos do coração

 

O coração é o primeiro órgão a se formar no corpo. Em menos de um mês, ele começa a bater e, como centro da vida humana, a partir dele todos os demais se desenvolvem.

Não foi à toa que Salomão disse: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4:23). Considerando o contexto desse verso, o significado de “coração” vai além da sede dos pensamentos e emoções, abrangendo também os valores morais, como reafirmado em outras passagens bíblicas (Mt 6:21, 15:18; Lc 6:45). A rigor, o coração reflete quem somos (Pv 27:19) e direciona o nosso caminho (Pv 16:9).

Antes de o homem desobedecer à palavra de Deus, no princípio, seu coração já havia desejado aquilo que lhe fora proibido. Por isso, Tiago esclarece que cada um, antes de agir pecaminosamente, “é tentado pela sua própria cobiça” (Tg 1:14).

O pecado corrompeu o coração, ou seja, a essência do homem, impedindo-o de discernir corretamente o mundo ao seu redor e de agir corretamente nele. Dessa forma, um coração corrompido sempre produz uma vida desordenada (Mt 15:18-20), caracterizada, por exemplo, pela perversão da língua, dos olhos e das condutas maliciosas (Pv 4:24-27). Por isso, todo conflito tem sua raiz nos conflitos do coração, e as crises de relacionamento não se resolvem se os corações dos envolvidos não forem transformados.

Apesar desse mal que habita em todos nós (Rm 7:17) e que não podemos remover integralmente por meio do ascetismo religioso, podemos lutar incansavelmente para mantê-lo sob controle (Gl 2:20). Isso ocorre ao disciplinarmos o coração com humildade, submetendo-o à influência da Palavra de Deus (Pv 2:6), por meio da qual novos desejos, decisões e ações, em oposição ao mal, promovem o bem, pela poderosa ação do Espírito Santo (Jr 24:7; Ez 36:26-27; At 16:14; Rm 2:29).

Assim, com o coração reeducado, as palavras de um cristão devem sempre ser ditas com amor (Ef 4:29-32). Seus olhos, ou seja, sua compreensão do mundo e seu discernimento para decisões e condutas, devem permanecer firmes no testemunho de Jesus Cristo (Hb 12:1-2; Fl 3:12-16), tendo-o como norma inflexível de um coração transformado pelo Espírito Santo.

Rev. Ericson Martins

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