Para a alegria da maioria dos brasileiros, o Brasil avançou para as oitavas de final, e o jogo será no domingo, dia 5 de julho, próximo ao horário do culto público noturno. Se vencer, estará mais próximo da grande final. E esperamos que sim!
O futebol faz parte da identidade cultural brasileira, acompanhado por uma paixão singular. São de arrepiar as cenas das pessoas se reunindo em todo o país para assistirem, juntas, aos jogos da Copa do Mundo. Aos gritos de gol, elas se abraçam, pulam, gargalham e choram, por não conterem tamanha emoção.
O bom senso nos ensina que não se pode ignorar a força do futebol no interesse coletivo dos brasileiros. Ao mesmo tempo, o cristão precisa lembrar que nenhuma alegria terrena, por mais legítima que seja, pode ocupar o lugar reservado ao Senhor. O futebol é um presente da providência de Deus, mas o culto público é uma ordenança do próprio Deus.
Alguém pode dizer: “Isto é legalismo”. Bem, o conceito de legalismo envolve a aplicação rigorosa da lei de Deus (Sl 119:4) e também a intromissão de elementos estranhos à pureza daquilo que deve ser preservado (Cl 2:20-23). Considerando esses dois aspectos, o apóstolo Paulo demonstrou receio de que os crentes se corrompessem quanto à pureza e à simplicidade devidas a Cristo (2Co 11:3).
O culto a Deus é pessoal e deve ser praticado como estilo de vida, mas o culto público é a assembleia dos santos, convocada para honrar a Deus como povo na terra. Este tem data, hora e local previamente estabelecidos, consagrados no Dia do Senhor.
Sabemos que há contextos que justificam a alteração de horários e até mesmo o cancelamento de cultos, como pandemias, perseguições religiosas e desastres. Contudo, entendemos que um jogo de futebol não constitui uma razão justificável para isso. Se assim fosse, esse precedente permitiria que, em pouco tempo, a igreja sofresse pressão para adotar as mesmas medidas em ocasiões como finais do Brasileirão, da Copa do Brasil e de outros torneios estaduais e municipais. O argumento da segurança pública mostra-se frágil, pois cultos à noite aumentam os riscos no trânsito, além dos contextos de carnaval e das passeatas de movimentos progressistas. Nesse caso, é sempre bom lembrarmo-nos dos cristãos que, em meio a incomparáveis riscos à segurança, em países fechados ao evangelho de Cristo, reúnem-se por entenderem que o culto a Deus é inegociável.
Entre preservar essa agenda ou alterá-la para assistir a um jogo de futebol, cada pessoa ou cada igreja deve fazer sua escolha, de acordo com a própria consciência cristã diante de Deus, e cada posição deve ser respeitada. Cada um deve seguir aquilo em que acredita e o caminho para o qual sua liderança eclesiástica o conduz.
Não estamos emitindo qualquer julgamento leviano aqui, apenas promovendo uma reflexão sobre esse cenário. A aplicação é pessoal e de foro íntimo. Não temos acesso ao que se passa no coração de ninguém para emitir qualquer juízo acerca da fé alheia, e isso sequer está sendo cogitado.
Entretanto, destacamos que, quando a igreja se reúne, ela o faz em obediência à santa convocação para adorar aquele que nos criou e nos redimiu em Cristo. Por isso, a Escritura nos exorta: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10:25).
Se alteramos agendas e compromissos para acompanhar uma partida decisiva, quanto mais devemos organizar nossa vida em torno da adoração ao Deus vivo. O resultado de um jogo ficará no passado, mas a comunhão dos santos e a proclamação da Palavra produzem frutos eternos.
Torçamos pelo Brasil com alegria e gratidão, mas, no Dia do Senhor, que a nossa maior expectativa seja encontrar-nos com o povo de Deus para render-lhe honras, como prioridade de uma consciência verdadeiramente edificada pela Palavra de Deus. Nenhum estádio substitui a assembleia dos santos, assim como nenhuma vitória esportiva se compara ao privilégio de nos reunirmos para adorar a Cristo, o eterno vencedor.
Rev. Ericson Martins
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