O silêncio de Deus


O profeta Habacuque viveu pouco antes da invasão babilônica. O reino de Judá estava marcado pela violência, corrupção, injustiça e desprezo pela Lei de Deus. Diante desse cenário, ele clamou:

“Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?” (Hc 1:2)

Nos versos seguintes, ele descreveu o motivo do seu clamor: a perversidade prevalecia e os ímpios oprimiam os justos (Hc 1:3-4). A crise do profeta não era o avanço dos maus, mas o aparente silêncio de Deus, como se ele, vendo tudo o que acontecia, não tivesse interesse em fazer cessar tanta corrupção.

A resposta foi dada imediatamente, em Habacuque 1:5-11. Deus revelou que não estava inativo. Pelo contrário, já levantava os caldeus (babilônios) como instrumento de juízo contra Judá. Isso surpreendeu Habacuque, pois os babilônios eram ainda mais perversos do que o povo de Judá. Surgiu, então, a segunda pergunta do profeta (Hc 1:12 a 2:1): como um Deus santo pode usar uma nação tão ímpia?

Em Habacuque 2, Deus respondeu que também julgará a Babilônia, mas no tempo determinado. Nesse contexto, declarou: “Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o, porque, certamente, virá, não tardará” (Hc 2:3). Logo depois, afirmou: “Mas o justo viverá pela sua fé” (Hc 2:4).

O silêncio de Deus não era ausência nem indiferença. Ele já estava agindo, conforme os seus propósitos e o seu tempo. Isso nos ensina que, quando os caminhos de Deus parecem incompreensíveis, o seu povo deve viver pela fé, confiando que ele governa a história com perfeita justiça e sabedoria. O Brasil, assim como o mundo, parece avançar na iniquidade, mas o fim está próximo.

Em face desses sinais, temos a certeza de que o Dia do Senhor se aproxima e de que Cristo, em breve, será revelado gloriosamente para julgar a terra e todos os seus moradores. Por isso, não esmorecemos por causa do que vemos, mas permanecemos firmes por causa daquilo que ainda será revelado.

Deus não está indiferente, a sua voz é ouvida por sua Palavra e o justo deve viver com confiança em quem ele é e naquilo que prometeu, pois ele é fiel.

Rev. Ericson Martins

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