A Escritura previu que, nestes últimos tempos, os homens seriam egoístas (2Tm 3:2). Tal descrição indica condutas cada vez mais frequentes que desfiguram o verdadeiro amor, porque, quando o eu se torna o centro, o outro deixa de ser visto como próximo. A princípio, isso não é apenas resultado de tensão nas relações, mas de um distanciamento progressivo da comunhão com Deus.
Nesse sentido, a ideia de que o inferno envolve solidão é descrita pela exclusão definitiva da comunhão com Deus, como o Senhor julgará os egoístas, no final dos tempos, dizendo: “apartai-vos de mim” (Mt 25:41). Paulo fala de “eterna perdição, banidos da face do Senhor” (2Ts 1:9) e, como afirma a Confissão de Fé de Westminster (CFW XXXIII-2), trata-se de eterna exclusão da presença graciosa de Deus, que é a fonte de todo bem relacional.
Portanto, o egoísmo é uma conduta gravemente danosa, porque quem rejeita o amor verdadeiro, que não busca os seus próprios interesses (1Co 13:5), rejeita a comunhão e colhe a consequência de sua escolha. Assim, o egoísmo desenvolve um caráter incapaz de amar, dirigindo-se para uma alienação eterna, por negar amar a Cristo e ao próximo (Mt 22:37-39).
Não é sem motivo que a Bíblia nos ensina a negar a nós mesmos (Lc 9:23). Também, em Cristo vemos o oposto do egoísmo, pois ele não buscou o que era seu, mas se entregou pelos outros. Nele, portanto, há não apenas perdão para o egoísta arrependido, mas também transformação real.
Nele está a esperança do Evangelho, por meio de quem o amor de Deus nos alcança e nos reconcilia, e também restaura a nossa capacidade de amar e ter prazer no encontro com nossos irmãos na mesma fé, antecipando, já agora, a vida que não conhece solidão.
Rev. Ericson Martins

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