Enquanto ainda temos tempo

 

O Dia dos Pais chegou como um memorial, e os filhos aproveitam a ocasião para homenageá-los, cada um à sua maneira. Gostaria de deixar aqui uma breve meditação.

A Bíblia nos faz pensar na paternidade como uma condição profundamente séria na relação com os filhos. Quando Jó recebeu a notícia da morte de todos os seus filhos, reagiu com serenidade:

“Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1:21).

De modo tão diferente, quando Davi recebeu a notícia da morte de seu filho, reagiu com intenso sofrimento:

“Então, o rei, profundamente comovido, subiu à sala que estava por cima da porta e chorou; e, andando, dizia: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!” (2Sm 18:33).

Obviamente, essas distintas reações não revelam a qualidade de cada pai, nem mesmo indicam mais ou menos sofrimento ou mais ou menos amor pelos filhos. O texto bíblico não nos ensina isso, mas existe algo que merece nossa atenção quando observamos o contexto de cada um: a consciência.

Antes da tragédia, Jó se levantava de madrugada e oferecia holocaustos por cada um dos seus dez filhos. No caso de Davi, ele amava Absalão, e a própria intensidade de seu lamento deixa isso claro. Contudo, sua história registra conflitos em sua própria paternidade que não foram resolvidos, e crises entre seus filhos avançaram com episódios bastante dolorosos.

Davi tinha o coração de Deus, mas não o dos filhos. Derrubou Golias, mas não as muralhas relacionais dentro de casa. É o maior rei da história, mas não o melhor pai da Bíblia.

A morte de Absalão o fez desejar ter morrido em seu lugar, mas nenhum pai deve esperar uma tragédia, seja física, seja espiritual, para demonstrar aquilo que deveria ser percebido e feito diariamente.

Pais, aproveitemos o tempo que Deus nos concedeu. Enquanto nossos filhos podem nos ouvir, oremos por eles, ensinemos-lhes a Palavra de Deus, conduzindo-os ao Senhor e à comunhão da Igreja.

Antes de ser uma memória, a paternidade é o que fazemos em favor da vida de nossos filhos, guiados pela Palavra de Deus, enquanto ainda temos tempo.

Rev. Ericson Martins

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