Todos nós esperamos nove meses para nascer. Esperamos crescer e nos realizar e, nesse tempo, aguardamos a graduação acadêmica, a conquista de um emprego, o encontro com alguém que nos ame e queira se casar conosco. Esperamos na fila de um atendimento, pela resposta de que dependemos de procrastinadores, pela recuperação de enfermidades, pelo reencontro com pessoas amadas. Esperamos em um ponto de ônibus, parados em um semáforo, em uma área de embarque, para chegar ao destino planejado. Esperamos por uma promoção, uma decisão judicial, os lucros de investimentos financeiros, pelo tempo da colheita. Esperamos a noite, a hora, a dor e o luto passarem. Esperamos reconhecimento, perdão e respostas que parecem nunca chegar.
Esperar é inevitável, inegociável e necessário, mas nunca é fácil, pois queremos retornos imediatos para tudo o que desejamos. Queremos superar o tempo, pegar atalhos, acelerar processos naturais da vida em busca de resultados rápidos, como romper relações de confiança para alcançar uma promoção antecipada. Afinal, não lidamos bem com o tempo e vivemos lutando contra ele, pois nos parece injusto e cruel quando não recompensa nossos esforços. Ele impõe mudanças e limites dos quais não podemos escapar, mesmo quando recorremos a cirurgias plásticas, maquiagens, atividades físicas e dietas rigorosas. Contudo, nos cansamos, envelhecemos e não podemos voltar atrás para corrigir decisões — apenas aceitar o que o tempo é, faz e nos ensina.
Entretanto, as Escrituras, a Palavra de Deus, mostram que o tempo é um instrumento divino com propósitos bem definidos. Entre outras lições que a Bíblia apresenta sobre ele, constatamos que o tempo deve ser remido para fins construtivos e eternos. Ele nos amadurece na compreensão da vida e de seu propósito maior: glorificar a Deus e desfrutá-lo plena e eternamente. Permite-nos ser mais pacientes e misericordiosos, pode nos tornar mais prudentes nas relações pessoais, capacita-nos a aconselhar, previne vaidades e nos ajuda a resistir a experiências cujos resultados infrutíferos se tornam óbvios.
O tempo ensina que querer não é poder, que a soberba eleva e depois cobra humilhação, e que somos vulneráveis a tudo o que não desejamos para nós mesmos. Ele nos revela que bens materiais não valem mais do que pessoas, que o interesse egoísta não nos realiza mais do que o socorro altruísta e que a nossa maior herança é o testemunho sobre como viver temendo e obedecendo ao Deus Triuno: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
O tempo também nos ensina que ele próprio avança para o seu fim, no Dia do Juízo Final, quando ocorrerá o retorno de Jesus Cristo e todos prestaremos contas do que fizemos, sendo julgados por isso. Nesse dia, o tempo e a espera deixarão de existir. Tudo será sempre presente, e não haverá mais surpresas, pois todas as nossas necessidades estarão finalmente supridas. A ansiedade e o medo, bem como as esperas transitórias da vida, serão superados pela suficiência divina permanente, e a sabedoria de Deus nos guiará contra um tempo passado de futilidades e ambições passageiras.
Não podemos parar o tempo, mas aguardamos o momento em que entraremos na eternidade para adorar a Deus juntamente com Jesus Cristo, por todo o sempre. Aleluia!
Rev. Ericson Martins

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