As reações ao resultado das eleições revelam algo que merece nossa atenção. Enquanto parte do país celebra com entusiasmo, outra parte tenta compreender, entre a tristeza e a indignação, o que essa decisão representa para o futuro da nação.
É natural que uma vitória produza alegria. O problema começa quando a satisfação política enfraquece o discernimento moral. Quando deixamos de questionar aquilo que condenaríamos no adversário, já não estamos defendendo princípios, mas protegendo nossas preferências. E isso é grave, sobretudo quando o compromisso com a integridade das instituições se torna secundário diante da conveniência partidária.
A democracia permite escolher governantes, mas não concede aos eleitores o direito moral de justificar indiscriminadamente suas condutas. A vitória nas urnas não transforma o errado em certo. Tampouco torna irrelevante a responsabilidade de quem recebeu o poder.
Mas há também uma palavra necessária aos que estão entristecidos. A indignação não pode nos conduzir ao desespero, como se os destinos da nação estivessem inteiramente nas mãos de seus governantes. A providência de Deus não foi interrompida pelo resultado de uma eleição.
Nossa fé precisa ser suficientemente madura para reconhecer que Deus governa mesmo quando não compreendemos os caminhos pelos quais sua providência se manifesta. Isso não significa conformismo diante do mal. Significa que podemos enfrentar a realidade sem perder a esperança.
A Igreja precisa preservar essa consciência. Não devemos esperar de um governo aquilo que somente Cristo pode realizar, nem permitir que nossas convicções sejam moldadas pelas paixões políticas.
Talvez o problema mais preocupante do Brasil não esteja apenas em quem assume o poder, mas na facilidade com que nossa sociedade relativiza seus próprios valores para justificar quem prefere.
E essa é uma crise que nenhuma eleição, por si mesma, será capaz de resolver.
Rev. Ericson Martins
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