Não. Não estou me referindo ao futebol, mas às convulsões sociais.
A frase “O Brasil não é para amadores” carrega o sentido de que, no Brasil, acontecimentos no âmbito das autoridades públicas são, por vezes, tão surpreendentes diante da ordem previsível quanto desafiadores para o restante da população, que precisa suportar sempre mais um peso sobre seus calejados ombros, não havendo outra alternativa.
Isso se evidencia no atual cenário de completo descontrole moral e confusão jurídica a que a sociedade assiste, ora comemorando, ora aflita com o impacto que poderá chegar a cada família. E, ainda, pelo medo persistente de que a injustiça mantenha e promova corruptores e a corrupção.
Bem, para nós, cristãos, tudo isso acirra ainda mais a tensão entre Igreja e Estado. Sabemos que, como instituições, são distintos, mas seus membros não estão alheios uns aos outros. Há crentes genuínos servindo ao Estado, e os resultados das decisões do Estado estão presentes em todos os aspectos de suas vidas e, também, da própria Igreja.
Portanto, a omissão diante dos fatos lamentáveis que escarnecem da confiança da sociedade nas instituições públicas e em seus agentes não coaduna com a sobriedade da fé.
Esperamos respostas firmes e incontroversas às investigações que envolvem o Ministério Público, a OAB, a Polícia Federal e ministros do Supremo Tribunal Federal. Mais ainda, esperamos o restabelecimento da ordem institucional, sem conivência com a impunidade e com o abafamento das graves suspeitas e denúncias envolvendo altas autoridades.
Sendo assim, como cristãos, precisamos dar uma resposta firme também nas urnas, por meio da escolha de representantes corajosos e preparados para promover transformações profundas no modo como os cargos públicos devem ser ocupados. E, ainda, precisamos orar pela paz de nossa nação, a fim de que todos se curvem diante do reto Juiz e, assim, sejam pautados pela ética do Reino de Deus.
Rev. Ericson Martins
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