Presente do céu



Presentes são gratuitos, aproximam pessoas, promovem alegrias, carregam a generosidade, atendem necessidades específicas, servem como símbolos de gratidão, minimizam tensões e podem até resgatar a esperança para relacionamentos quebrados. É óbvio que existe “presente de grego” por aí, como meio de manipular motivações erradas, contudo, em geral, presentes ocupam nossas melhores expectativas.

A Bíblia nos fala de um presente de Deus. Nicodemos, um dos principais fariseus, convencido que Jesus havia vindo da parte do Pai (Jo 3:2), foi informado que Ele estava executando, no mundo, o plano de salvar os que creem (cf. Jo 3:13-21). Após falar da Sua vinda, morte e ressurreição (Jo 3:13-15), Jesus apresentou o motivo: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). 

Deus escolheu amar todos, mais intensamente os que, sendo pecadores (Jo 3:17-21), haveriam de crer em Jesus. Por estes, Ele deu o Seu único Filho para sacrifício, a fim de que fossem justificados e herdassem a vida eterna. O verbo amar (agapao) neste texto implica amar de modo particular. Ele é usado nos Evangelhos para indicar o seu modo mais excelente e profundo (Jo 8:42, 14:23-24, 21:15-16; 1 Jo 3:1, 4:10) e é comumente relacionado ao aspecto redentivo dos eleitos (Jo 17:23-24 e 26; Rm 5:8; Ef 2:4; 2 Ts 2:16). Por isso, este amor que Deus ofertou é tão sublime quanto exclusivo, pessoal e específico. Também, ele é enfatizado pelas palavras: “de tal maneira”, indicando que não se tratou de um amor comum ou momentâneo, mas de um amor tão intenso quanto categórico, pois nunca houve outro maior do que ele (Jo 15:13).

A finalidade ou o resultado deste amor foi salvar, da condenação no pecado, os que creem em Jesus (Jo 3:17), os que não creem, já estão julgados (Jo 3:18-20). Ambos, crentes e incrédulos, constituem o “mundo” ou propriamente a humanidade (Jo 8:26, 14:19; Ap 3:10). Deus ama a todos e graciosamente provê condições, para que experimentem prazeres, tenham senso de justiça, respirem, se alimentem, etc, no entanto, o objeto do intenso amor redentivo de Deus não se refere a todos, indistintamente, mas “o que crê”, para que não sofra os eternos efeitos do pecado, com a perda da comunhão com o Criador, mas possam viver com Ele por toda a eternidade.

Finalmente, o amor de Deus não foi como um vago ou leviano sentimento, mas a doação do Seu Filho (cf. Rm 8:31-32), porque foi pactual, conforme João mesmo diz em 1 João 4:9-10: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”. Note que o amor de Deus e a “propiciação pelos nossos pecados” (satisfazer a Deus no lugar de outro), estão intrinsecamente ligados aqui como em João 3:16. Se cremos que Jesus veio do céu, para ser sacrificado em nosso lugar, temos a vida eterna com Deus garantida (Hb 9:11-12).

Deus preparou um caminho para redimir e salvar “o que crê” (Jo 3:16), ao enviar o Seu Filho do céu à terra (Jo 3:13). Ele veio como oferta gratuita de Deus, não motivado por algum merecimento humano, mas por Seu mais puro e perfeito amor. Não há presente maior que este, ainda mais sabendo que jamais poderíamos pagar seu valor, com nossos bens ou esforços sacrificiais, mesmo bem-intencionados. Então, resta-nos, humildemente, recebermos de graça a salvação, pela fé em Jesus Cristo, e vivermos obedientemente aos Seus ensinos.

Ericson Martins

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