Pelo sangue da sua cruz

Pelo Sangue da Sua Cruz
Justificação e reconciliação. O lugar do perdão na vitória sobre os nossos pecados
Texto: Colossenses 1:21-23

Pregador: Ericson Martins. Tempo: 49min

Para ouvir a mensagem, selecione o link: http://pipg.org/ump/?page_id=1416&sermon_id=79




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Comunhão familiar


“Dou graças ao meu Deus, lembrando-me, sempre, de ti nas minhas orações, estando ciente do teu amor e da fé que tens para com o Senhor Jesus e todos os santos, para que a comunhão da tua fé se torne eficiente no pleno conhecimento de todo bem que há em nós, para com Cristo. Pois, irmão, tive grande alegria e conforto no teu amor, porquanto o coração dos santos tem sido reanimado por teu intermédio” - Filemom 4-7

Uma das figuras mais interessantes que a Bíblia atribui à Igreja é da família (Rm 8:28-29; Ef 2:19; 1 Pd 1:23), pois seus membros são gerados por um só Progenitor e, assim, formam verdadeiramente uma família de natureza espiritual. Uma família saudável é caracterizada pelo mútuo afeto e proteção, os quais simplificam a comunhão.

Quando as crianças começam a crescer e interagir com outras da mesma idade, os pais se esforçam para ensiná-las a compartilhar seus brinquedos. Eles entendem que como membros de uma sociedade organizada é necessário aprender desde cedo a compartilhar o que possuem. Este é o conceito básico da comunhão, sem a qual as pessoas apenas se encontram, mas não se relacionam.

A carta de Paulo à Filemom é a mais breve e, talvez, a mais íntima de todas as suas cartas. Onésimo era um escravo que roubou do seu senhor (Filemom) e fugiu para Roma onde se encontrou com Paulo. Após evangelizado e convertido, Paulo o enviou ao seu senhor (v. 12) com esta carta em mãos e pedindo que Filemom o perdoasse, pois ele havia fugido como escravo, mas retornado como irmão caríssimo (v. 15-17).

Esta atitude de Paulo para com Onésimo ao seu próprio colaborador Filemom, ensina-nos alguns princípios que devem ser aplicados ao contexto eclesiástico, mas especialmente na relação entre cônjuges, pais e filhos.

1. Comunhão exige orar uns pelos outros (v. 4)
Depois da sua tradicional saudação (v. 1-3), Paulo disse que dava graças a Deus lembrando-se sempre de Filemom em suas orações. Em outras passagens Paulo pediu que orasse por ele (1 Ts 5:25 e 2 Ts 3:1). Todos nós necessitamos uns dos outros quando se trata de oração. Devemos pedir que orem por nós, mas também ter a iniciativa de orar pelos outros. A oração é parte vital na comunhão familiar, porque a comunhão familiar começa na comunhão com Deus.

2. Comunhão envolve a todos (v. 5)
Relacionamentos normalmente são condicionados por níveis de intimidade. Todos defendem a necessidade de ter algumas pessoas no âmbito da intimidade. Mas comunhão é para com todos. Deve ser abrangentemente partilhada com “todos os santos” (At 2:42-47, 4:32-35). No ambiente familiar todos devem ser beneficiados pelo compartilhamento das alegrias e tristezas, das oportunidades e bens. Não deve ser preservado qualquer egoísmo ou resignação, todos devem experimentar a vida um do outro.

3. Comunhão reconhece todo o bem (v. 6)
A comunhão nunca chega a conclusão imediata que as boas atitudes são importantes e valorosas. O “pleno conhecimento de todo bem” é o efeito cumulativo de tudo o que é feito para a edificação espiritual, assim como nos relacionamentos interpessoais. A crítica depreciativa e desencorajadora não reflete tal conhecimento na comunhão, mas a avaliação sensível de tudo o que é feito para o bem dos relacionamentos como forma de mútuo fortalecimento.

4. Comunhão conforta o coração (v. 7)
O relacionamento edificado sobre a base da comunhão bíblica favorece a alegria e conforto no amor. O amor disponibiliza as pessoas para ajudar umas às outras, ambas confiando no favor do Senhor. Quando alguém tem necessidade, todos se sentem responsáveis para suprir. É na verdadeira comunhão que experimentamos o conforto que se em algum dia passarmos por uma “tempestade”, haverá alguém para cobrir-nos e reanimar-nos. A proteção das necessidades uns dos outros é uma marca visível da comunhão bíblica dentro de casa.

Que estes princípios bíblicos te auxiliem buscar comunhão na igreja e, especialmente, fortaleçam a vida comum do lar.

Ericson Martins

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Missões em curtos prazos


O entendimento bíblico a respeito da “missão” é compreendido antes da criação. Deus é pré-existente e a criação Sua revelação (Gn 1:1; Rm 1:20). A missão de Deus antes da criação era revelar-se, como ainda é.

Ao criar o homem, o fez à Sua imagem, conforme Sua semelhança (Gn 1:26-27). Até a queda, o homem representou as virtudes de Deus reveladas ante todas as coisas criadas, pois Ele o fez reto (Ec 7:29) e tal retidão consistia em santidade. O homem, portanto, criado à Sua semelhança, tornou-se o principal responsável por esta missão: revelar a glória do seu Criador. Assim sendo, recebeu de Deus missões, ou seja, responsabilidades que manifestavam as virtudes do caráter e governo de Deus em toda criação (Gn 1:28, 2:15, 20).

Com a intromissão do pecado (Gn 3) as missões do homem tornaram-se profundamente comprometidas, carecendo, portanto, de um representante legal que o redimisse do estado de queda (Gn 3:15). O homem em estado de pecado não revela com perfeição o caráter e governo de Deus. Embora tenha falhado em suas missões, a missão de Deus não. Deus separou Abrão (Gn 12) como referência de fé e obediência (Gn 22:16-18 cf. Rm 4:3 e Hb 11:8-19) na história. Este peregrinou por muitas terras, segundo a condução do Senhor (Gn 12:1, 4), até chegar ao Egito onde sua descendência se multiplicou como povo crente no único Deus. Sua vocação, desde o início, foi marcada com as seguintes palavras: “... em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12:3), referindo-se a vinda do Messias (cf. Gn 3:15) que viria na sua descendência, e em cuja morte e ressurreição seriam redimidas pessoas de “toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5:9 cf. Os 6:1-3).

Saindo do Egito, toda a peregrinação do povo de Israel até a terra prometida por Deus a Abrão (Gn 12:1) envolveu ofertas de adoração, ensinamentos, exortações, castigos, batalhas, orações, crises de toda natureza, etc., em terras estranhas. O testemunho sobre o único Deus e o dever de todos o adorarem deveria ser dado às nações. 

O salmista descreveu como Israel deveria receber as bênçãos de Deus: “Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o rosto; para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação. [...] Abençoe-nos Deus, e todos os confins da terra o temerão” (Sl 67:1-2, 7). Israel foi chamado para receber as bênçãos de Deus e cumprir a missão de convocar as nações da terra para oferecer culto somente a Ele. Contudo, tornou-se egoísta e segregou-se desta vocação. Apesar de ter falhado em muitos aspectos – motivo que o levou a cativeiros – o Senhor preservou a missão de conduzir os gentios à Luz. A salvação por meio de Cristo é o cumprimento divino da promessa dada a Abrão de abençoar “todas as famílias da terra” (Gn 12:3). 

O ministério de Jesus

Ninguém viveu em obediência a Deus como Jesus, o Deus encarnado. Entretanto, Sua permanência física entre os homens limitou-se a trinta e três anos, sendo que Seu ministério só foi inaugurado oficialmente a partir dos trinta anos. Até a crucificação, tudo o que Jesus realizou, em caráter messiânico, foi em um curto período de tempo: três anos. Neste período Jesus percorreu todas as cidades e povoados da Galiléia (Mt 9:35 cf. 4:23-24), ensinando, pregando o Evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. O mesmo na Samaria (Lc 17:11-37, 18:1-34; Jo 4:4-42) e Judéia (Mt 19-26). Jesus cumpriu a missão de Deus perfeitamente (Jo 4:34, 14:9) e exerceu Seu ministério indo às diversas cidades e povoados, em curtos prazos, fazendo o que lhe cumpria fazer (Mc 1:38).

Sua estratégia ministerial envolveu chamar (Mt 4:18-22, 8:9; Mc 1:16-20, 2:13-14, 3:13-19), preparar com ensino e exemplo durante todo tempo, e enviar (Mt 10:1-42; Mc 6:7-13; Lc 9:1-6, 10:1-12) os discípulos. Antes da Sua ascensão aos céus, ordenou que os discípulos saíssem por toda parte anunciando a “boa notícia” da salvação, desta forma, fazendo outros discípulos, segundo Ele mesmo ensinou (Mt 28:20).

A Grande Comissão é narrada pelos quatro evangelistas em perspectivas diferentes, mas harmonizadas pelo mesmo conteúdo: sair por todas as nações dando testemunho de Jesus. 

  • Mateus: Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações... ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado (Mt 28:19);
  • Marcos: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura (Mc 16:15);
  • Lucas: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas cousas (Lc 24:46-48);
  • João: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio (Jo 20:21).


Embora os filhos da antiga aliança não cumpriram sua responsabilidade transcultural plenamente, por meio de Jesus, ela é confiada ainda mais aos filhos da nova aliança, como lemos nos textos que fazem referência à Grande Comissão. 

A Igreja é chamada para sair (ekklesia, “chamados para fora”) e participar com Deus (1 Co 3:9) da evangelização transcultural, chamando pessoas de todas as nações ao arrependimento mediante a exposição do plano de Deus em Cristo Jesus. Isto sendo em longos ou curtos períodos de atividades como lemos, por exemplo, em Lucas 8:26-39 e 9:1-6. A Grande Comissão está firmemente baseada no poder e na autoridade de Jesus Cristo. Ele é o único quem pode quebrar as barreiras e abrir as portas para que o Evangelho possa ser efetivamente apresentado.

Sobre missões em curtos períodos, um dos eventos mais conhecidos encontra-se em Lucas 10:1-20, quando que Jesus designou setenta discípulos “e os enviou de dois em dois para que o precedessem em cada cidade e lugar aonde ele estava para ir” (v. 1). “Então regressaram os setenta...” (v. 17) à Jesus para dar-Lhe relatórios sobre o trabalho que realizaram.

O ministério de Paulo

Um dos argumentos mais comuns contra missões em curtos prazos é que há uma grande disparidade entre o que pode ser realizado em um curto período de tempo através de leigos e o tamanho do investimento de recursos financeiros que tais viagens requerem. 

Muitos líderes eclesiásticos argumentam que a estratégia de avanço missionário da Igreja deve ser cumprida apenas com missionários comprometidos por longos prazos nos lugares a que são destinados. E de fato, sua eficácia é inquestionável; contudo, negar o trabalho de missões realizadas em curtos prazos também é negar a importância pioneira que elas tiveram historicamente para a Igreja primitiva, como documentadas no Livro de Atos. Não é preciso muitos recursos para se compreender que o apóstolo Paulo, dentre outras personalidades bíblicas, realizou frequentes missões em curtos prazos para diversas regiões, como a Cilícia (At 15:41, Gl 1:21), Pisídia (At 14:21-23), Panfília (At 14:24-25), Galácia (At 18:23; 1 Co 16:1), Ásia (At 19:22, 26), Macedônia (At 16:9, 12, 18:5; 1 Co 16:5), dentre outras. A maioria destes mesmos líderes eclesiásticos aceita que o apóstolo Paulo foi o maior missionário que a Igreja já conheceu. Muito do que sabemos de missões na Bíblia tem fundamento no ministério deste apóstolo, pelo trabalho que realizou, suas estratégias e, especialmente, sua teologia.

Paulo foi um missionário de longo prazo, mas como Jesus, executou estratégias de curtos prazos. 

O apóstolo Paulo raramente permaneceu longos períodos de anos ou meses em um único local. As exceções foram para Éfeso (possivelmente dois anos e meio) e Corinto (um ano e meio). Entretanto, devemos ter o cuidado de, ao comparar-se com o ministério do apóstolo, negar que missionários devam permanecer por longos períodos (muitos anos) em um único “campo missionário transcultural”. É preciso considerar que, embora ele não tenha se dedicado por toda a vida em um único local, seu compromisso de pregar o Evangelho para o máximo de pessoas possível foi para toda a sua vida. Desde o novo nascimento (At 9:1-9, 15-16) até sua morte em Roma, sua história revelou que o compromisso de ser testemunha eficaz de Jesus Cristo é independente do tempo de permanência ou condições favoráveis de um local. A questão central não foi o tempo de permanência, nem a forma de trabalho, mas o propósito que deveria ser praticado (1 Co 9:16-27). 

Em essência Paulo foi um missionário de longo prazo que usou viagens de curtos prazos como estratégia primária. Não foi a forma, mas o princípio o mais importante, assim como deve ser para todos aqueles que aspiram envolver-se com o trabalho missionário de modo efetivo.

Ericson Martins

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