Por Que Exímios Líderes Deprimem ? 1

PARTE 1

Liderança é responsabilidade. Embora uma das melhores definições para liderança mencionada por renomados escritores da área, como ressalta o expert mundial em Administração de Empresas Tom Peters (http://vimeo.com/1056137) e o consagrado consultor para liderança empresarial John C. Maxwell em O Poder da Liderança (publicado pela Garimpo Editorial) seja a capacidade de influenciar pessoas, essencialmente esta capacidade envolve responsabilidade sobre aqueles que seguem decisões e usam-na como referência para gestão e relacionamento.

Quando tratamos de liderança no segmento cristão, consideramos que esta responsabilidade é ainda maior, pois exercem grande influência moral e espiritual sobre outros pela confiança que lhes é dada (não necessariamente cargos). Primeiro, por professarem vocação de Deus; segundo, pela natureza espiritual desta função. Sem dúvida, serão mais cobrados.

Líderes são chamados para comunicar a revelação transformadora de Deus ao mundo, de modo que, aqueles que forem internamente chamados à salvação, sejam feitos verdadeiros e leais discípulos de Jesus perante a sociedade em que vivem. Estes líderes, de especial maneira, Deus habilitou com dons para a tamanha responsabilidade de cuidar do Corpo de Cristo até que Ele volte. Normalmente são pessoas dotadas de indiscutíveis habilidades espirituais e administrativas que lhes permitem, mediante humildade e obediência ao que foram vocacionados, realizar obras que glorificam a Deus. No entanto, na mesma medida dos privilégios reservados à liderança, tentações potenciais a cerca, e uma vez atendidas, a defraudação na Igreja do Senhor pode provocar prejuízos, muitas vezes, irreparáveis à fé e relacionamento intencional com Deus pelo povo. Pessoas são influenciadas por aqueles que estão à sua frente e isto demanda uma enorme responsabilidade.

Entender por que exímios líderes deprimem é altamente relevante em nossos dias. A palavra "depressão" atribuída ao título desta reflexão, não se refere à disforia psíquica, e sim ao declínio da autoridade espiritual e conseqüente referência moral daqueles outrora chamados por Deus, mas que agora se encontram em um triste declínio no seu papel como líder chamado por Deus.

A Bíblia destaca desde os primórdios da humanidade até os eventos mais importantes do primeiro século do Cristianismo, homens relevantes em suas épocas. Pessoas chamadas em caráter especial, cada um com um propósito claro de liderança na construção da história do povo de Deus. Adão, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés, Josué, Saul, Davi, Salomão ... Pedro, Paulo, etc., são alguns mencionados como grandes líderes. Suas histórias são inspiradoras do ponto de vista da liderança; contudo, sobre cada um deles, a histórica bíblica registra seus pecados e como profundamente sofreram por causa deles.

O pecado é uma realidade na vida de todo homem. Ele é totalmente pecador. Mesmo sendo crentes em Deus como os personagens citados acima, pecaram e sofreram as conseqüências. Ao negar o fato de que é pecador, o homem peca (Rm. 3:23, 5:12; 1 Jo. 1:10).

A Bíblia destaca já no início da história do homem (Gn. 3) a decadência da sua retidão original (Ec. 7:29) e sua conseqüente perda da comunhão com Deus. A partir do seu pecado o homem tornou-se completamente corrompido em seu corpo e alma, toda a sua existência foi afetada pela morte. Assim, sua posteridade recebeu a justa imputação do pecado original. Todo homem, por seu próprio pecado, nasce inclinado ao mal e inteiramente indisposto ao bem. Deste estado, procedem todas as transgressões espirituais e sociais (Gn. 6:5 e 8:21; Mt. 15-19; Rm. 3:10-12, 5:6, 7:18 e 5:7; Ef. 2:2-3; Cl. 1:21; Tg. 1:14-15). A Confissão de Fé de Westminster (1647) é um importantíssimo documento da Igreja e expressa com profundidade a doutrina bíblica. Ela diz : "Durante esta vida, essa corrupção da natureza persiste naqueles que são regenerados (I João 1:8-10; Rom. 7:14, 17, 18, 21-23; Tiago 3:2; Pv. 20:9; Ec. 7-20); e, embora ela seja perdoada e mortificada por meio de Cristo, todavia, tanto ela como os seus impulsos são, real e propriamente, pecado (Rm. 7:5, 7-8, 25; Gl. 5:17)", (CFW, VI-5).

O estado pecaminoso em que se encontra todo homem diante da absoluta santidade de Deus indica que ele é falho. Por mais bem intencionado que esteja em algum empreendimento ministerial, sofre tentações, busca seus próprios interesses, deixa de cumprir suas melhores motivações, omite segredos vergonhosos, resiste o arrependimento, mente, corrompe relacionamentos para se proteger, ignora conselhos, etc.. Isto não tem nada haver com cargos ou status quo, tem haver com o ser humano.

No sentido primordial, o homem deprime porque é pecador. Deste tronco brotam diversos galhos secos (práticas inadequadas de liderança). O líder que compreende esta realidade teme ao Senhor e o busca com humildade a fim de encontrar vigor ante o maior desafio da liderança : ele mesmo. Pois Deus não o ignora com vistas nos outros, antes o valoriza, o ama e tem o propósito de transformá-lo continuamente a fim de que expresse testemunho fiel da grandeza que é liderar pessoas por amá-Lo e não para se auto-recompensar.


Esperando por você na próxima reflexão, fique com meu abraço !


Ericson Martins
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Em Tudo Dai Graças


"Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" 1 Tessalonicenses 5:18


Em sua segunda viagem missionária o apóstolo Paulo teve a oportunidade de visitar a cidade de Tessalônica (At. 17:1-4), atualmente Salônica na Grécia. Era uma cidade estratégica para a difusão do Evangelho por sua concentração de pessoas (gregos e romanos) oriundas de diversas partes, atraídas pelo comércio. A cidade, além de portuária, ocupava geograficamente o centro costeiro da Grécia e ligava duas importantes cidades por uma das principais vias de transporte : Filipos e Atenas. Com o frenético movimento migratório de pessoas e suas tradições religiosas de diversas partes, assim como grandes centros urbanos de hoje, verdades absolutas são relativizadas. A cidade de Tessalônica sofria com diversas dúvidas quanto à segunda vinda de Jesus e este foi, certamente, o propósito central ao escrever esta Epístola por volta do ano 50 d.C..

Ao chegar à cidade Paulo logo procurou um local de grande influência judaica, a sinagoga (At. 17:2). Ali falou a respeito das expectativas proféticas do Antigo Testamento sobre a vinda do Messias. Ele o identifica com a manifestação de Jesus, exatamente como foi prometido. Logo, os discípulos de Jesus cresceram pela exposição fiel das Escrituras formando uma forte comunidade de crentes (1 Ts. 1:6-8, 3:6, 4:1, 9-10) na vinda de Jesus como rei supremo que governaria com equidade todos os povos. Amedrontados pela crença de um Rei que suscitou entre os novos crentes e seu eminente retorno, judeus utilizaram este discurso para instigar uma perseguição romana contra eles insinuando que a autoridade de César (imperador) estava sendo desacreditada por outro chamado Jesus. O motim começou expulsando Paulo, Silas e Timóteo da cidade e humilhando Jasom (At. 17:5-9) por receber os missionários em sua casa.

As pressões políticas, religiosas e filosóficas progressivamente intensificaram a hostilidade contra os crentes e muitos começaram a desanimar (4:13-18, 5:18). O motivo foi a morte de muitos pelas perseguições, a ausência física do apóstolo entre eles e a "demora" do retorno de Jesus. Eles, por exemplo, interpretavam a ausência de Paulo como falta de interesse pela igreja tessalônica. Além disto, alguns hábitos morais dos pagãos estavam sendo associados com a nova fé, confundido a certeza pelas dúvidas (4:3-8), outros, esperançosos na vinda de Jesus deixaram de trabalhar (4:11-12, 5:14). Por estes e outros motivos, a igreja estava se dividindo (5:13).

Entender este contexto é fundamentalmente importante para entender o que Paulo quis dizer sobre "em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus". Para ele, o crente que espera a volta de Jesus não adota ídolos (1:9-10), não usa a prerrogativa da soberania para a preguiça no serviço (2:9, 19), não incita divisões pelo prazer da dúvida (3:12-13) e não é omisso no confronto ao pecado (5:23). Em tudo (vv.18, 21 e 23) exorta a acomodação dos tessalônicos de crer parcialmente na vinda de Jesus, de moralmente andarem dignos parcialmente pelas atrações ilícitas da "velha vida", de trabalharem parcialmente pela ignorância sobre a soberana vontade de Deus, de se dedicarem parcialmente na oração a Deus por darem ouvidos às filosofias gregas, de se sujeitarem parcialmente aos líderes da igreja por não aceitarem o rigor da verdade que pregavam e de se alegrarem somente em tempos de paz e não pelas perseguições que ocultavam glória da verdade sobre Jesus Cristo (Rm 8:28). Dai graças é o resultado óbvio que só é possível em tempos de perseguições e incompreensões quando se entende e crê no propósito de Deus por trás das infâmias, humilhações e perdas quando se leva a sério viver de acordo com a vontade de Deus. Este motivo de gratidão é irônico para quem compreende a vida apenas como rotinas cíclicas limitada pela morte, mas a outros, é o fruto regozijante genuíno que vem da esperança além desta vida (1 Ts. 5:4-11, 18; 1 Cor. 15:19). Esta vontade de Deus não é impessoal. Os tessalônicos sentiam-se confusos e vulneráveis. A palavra "público" quando atribuída a um objeto perde grande parte do seu valor singular e pessoal. A idéia da ausência física do apóstolo entre eles e a suposta demora de Jesus em Sua segunda vinda, produziu em seus corações a sensação de esquecidos e desprezados. A argumentação consoladora do apóstolo é que a relação com a vontade de Deus é pessoal e fora revelada em Cristo (cf. 5:23). Cristo estava entre eles, Cristo não deixa de assistir individualmente o crente pela relação com os crentes. Cristo não é omisso quanto às debilidades espirituais, morais e sociais entre as quais viviam. Cristo é a revelação de Deus, mas também da Sua vontade; portanto, referência autoritária e insubstituível para o desenvolvimento sadio da fé tendo-o como Salvador (5:8). Cristo é a base sólida da integridade e irrepreensibilidade até Cristo conforme o v.23.

Dar graças em tudo é experimentar o que somente aqueles que esperam firmemente a vinda de Cristo podem experimentar pela convicção na eternidade com Deus (5:1-2, 9). É entender que o mundo com todas as suas atrações não significam nada diante dos regozijos que aguardam todos os salvos nEle. É ser radical quanto às chantagens impostas à fé, às tentações imorais, às especulações filosóficas contra verdade bíblica sobre o retorno de Jesus, ... mesmo quando o resultado de tamanha certeza é a humilhação e crueldade pelos incrédulos. Na doutrina de Paulo não havia espaço para parcialidades e incertezas. Dar graças neste texto é uma confissão de fé em Cristo por Sua redenção e bênçãos eternas que estão reservadas para o já e ainda não, ou seja, este tempo de lutas, mas na sua plenitude quando Cristo voltar.

Paulo disse : "em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus". Ele sabia o que falava aos tessalonicenses (Fl. 3:12-16), e por graça de Deus, a todos nós hoje.

Com meu amor,


Ericson Martins
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