Enfrentando a masturbação


Vivemos em uma sociedade que valoriza a sensualidade, é permissiva à prostituição como um meio de vida e defende a liberdade sexual sem pudor. Sensível à essas demandas, os meios de comunicações exploram, sem censura, a nudez, o sexo explícito e linguagens que viciam os pensamentos e provocam fortes anseios sexuais. Adolescentes e jovens, expostos a tudo isso, prematuramente se entregam à experiências sexuais, enquanto adultos enfrentam tentações, quase irresistíveis, as quais comprometem a lealdade conjugal e a boa consciência. 

Como Igreja, ao evitarmos tratar esses assuntos, clara e biblicamente, permitimos que as pessoas definam os seus próprios padrões de consciência a respeito do comportamento sexual, consumindo as perspectivas da cultura secular que não estão comprometidas com o ensino da Palavra de Deus.

Nenhum pecado, por mais que os seus efeitos sociais pareçam pequenos, pode ser subestimado. A sua natureza é sempre nociva à santidade que Deus requer de cada um de nós. Nesse sentido, embora a masturbação  seja uma prática pessoal e privativa, não afetando inicialmente a vida de “outra pessoa”, é potencialmente capaz de enfraquecer a vida cristã e de induzi-la a outros níveis de imoralidade sexual.

Quando a Bíblia fala sobre imoralidade sexual, a palavra grega utilizada é pornéia, como por exemplo: “Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério [e o que casar com a repudiada comete adultério]” (Mt 19:9). Esta palavra possui 27 ocorrências no Novo Testamento, sendo traduzida pela versão Almeida Revista e Atualizada por: prostituição (Mt 15:19); relações sexuais ilícitas (At 15:20); imoralidade (1 Co 5:1); impureza (1 Co 6:13); impudicícia (Ef 5:3) e devassidão (Ap 17:2). 

A masturbação[1] é uma prática de estímulo sexual do próprio corpo, através das genitais. No impedimento de se fazer sexo com outra pessoa, independente do motivo, o corpo apresenta essa necessidade e torna a pessoa sexualmente sensível, principalmente, pelo olhar e pelo toque. Seja pelo olhar, seja pelo toque, a mente é a primeira afetada e ela é quem produz anseios e desejos sexuais impuros. A Bíblia diz: 

“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5:27-28 cf. Êx 20:14 e 17).

Uma vez que esses anseios e desejos são destinados, por solteiros ou por pessoas casadas, à outras fora da relação conjugal, são descritos pela Bíblia de “impuros”.

A mente, portanto, é o campo de “batalha” na luta contra os pecados sexuais. Tudo começa com a percepção (olhar) e, por fim, com os desejos, ou intenções impuras (cobiça). No pensamento, apenas a pessoa peca. Apesar de não haver união ilicitamente física na mente, ao desejá-la, pecamos. E a masturbação só é possível através da provocação dos pensamentos e dos desejos sexuais que estimulam a ereção. Aos olhos de Deus, tal prática é impura, portanto, incoerente com a vida cristã (Ef 2:3).

“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões” (Rm 6:12)

Paulo disse em Romanos 12:2 que para experimentarmos a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” é necessário sermos transformados “pela renovação” da nossa mente, e que na luta espiritual, uma das estratégias à vitória é “…levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Co 10:5). Pedro disse: “Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios ..., não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento” (1 Pd 1:13-15). Não podemos evitar, totalmente, os pensamentos impuros na mente por fatores externos (relacionamentos, programas de TV, imagens, seduções, etc), porém somos capazes de controlar boa parte deles, impedindo-os de permanecerem e se desenvolverem à práticas contrárias para as quais que Deus nos chamou.

Como dito antes, o que nossos olhos veem e leem produzem a maior parte de nossos desejos que, não satisfeitos na relação regular do casamento, nos induzem ao pecado da masturbação quando não à fornicação (prática sexual entre solteiros) ou adultério (prática de sexo de casado(a) fora do casamento). A Bíblia diz que: “São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas” (Mt 6:22-23). Esse texto descreve mais do que um fato físico, descreve o que, pelos olhos, entra na mente e produz desejos. João adverte-nos desse perigo em 1 João 2:16:

“porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”

Salomão escreveu: “Os teus olhos olhem direito, e as tuas pálpebras, diretamente diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos” (Pv 4:25-26). 

O impulso sexual é normal e saudável, visto que fora dado por Deus na criação do homem, para procriação, mas também para o prazer. Nisso reconhecemos a bondade de Deus! Abusar dele é que deturpa aquilo que é bom para o nosso bem. Os impulsos sexuais só podem ser atendidos dentro de uma relação conjugal regularizada, entre um homem e uma mulher, fora devem ser enfrentados com firmeza para não controlarem os nossos caminhos.

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (1 Co 6:12).

Na liberdade da graça de Deus, podemos escolher fazer o que é santo e direito aos Seus olhos! Sendo assim, gostaríamos de oferecer agora alguns conselhos que podem e ajudarão, gradativamente, a superar esse pecado, sob a graça de Deus: 

01. Afasta-se radicalmente de qualquer acesso à pornografia. Ela criará uma erupção de pensamentos promíscuos em sua mente, os quais o levarão à masturbação, enquanto não comprometer a estabilidade do seu casamento; além do enfraquecimento da sua relação com Deus por causa do pecado. Portanto, trate diretamente a sede de pensamentos e desejos impuros que não deve carregar, protegendo a sua mente deles.

02. Ocupe o seu pensamento, fortemente, com a Palavra de Deus (Fl 2:8). Quanto mais você ocupar a sua mente das coisas de Deus, menos inspiração e sugestão você terá para se masturbar.

03. Se é casado, abra o diálogo com a sua esposa. É preciso acordo entre os dois para uma vida sexual satisfeita à ambos, sem constrangimento. Se não há acordo, o melhor é buscar aprender a conviver com o ritmo do cônjuge. A abnegação é, também, um ato de amor e necessário para a estabilidade e preservação do casamento.

04. A masturbação é um problema mais comum do que imaginamos, entre pessoas casadas. Muitos temem tratar o assunto com o cônjuge por medo das reações que pode ter. Porém, não deve temer conversar sobre o assunto, se quiser ser ajudado a superar esse problema pessoal e preservar o casamento daquilo que a pornografia e seduções externas podem trazer. Essa experiência não exclui um franco diálogo com um pastor conselheiro, alguém que possa te acompanhar regularmente de perto, e orar com você. Dependendo do caso, se porventura o seu conselheiro perceber a sua incapacidade para controlar impulsos sexuais, será necessário uma consulta à um psiquiatra competente em busca de um tratamento fisiológico e emocional. Reconhecer a necessidade de carregar essa “carga” com outras pessoas te preservará de frustrações maiores logo à frente. Pense nisso.

É razoável admitirmos que o objetivo da vida cristã é ser pura de pensamento e ações, em honra à Deus. Não há dúvidas de que a masturbação deve ser enfrentada com esse objetivo, visto que é estimulada, quase sempre, por pensamentos e desejos sexuais impuros. 

Confie e dependa, sobretudo, do Senhor, pois sem a intervenção dEle em nossas vidas não há vitória contra o pecado.

Com amor.

Ericson Martins
www.facebook.com/ericsonmartins

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[1] Latim masturbatio, que seria formado por manus (“mão”) e turbare (“sacudir, chacoalhar, mexer”). Origem da Palavra: http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/masturbacao

Um comentário:

  1. Esse é um assunto que acomete além de pessoas casadas ou não, e principalmente os jovens de ambos os sexos. Isto se não tratado espiritualmente, acaba tornando-se um caso psicológico que trará muitos traumas e retrações como o isolamento dentro de si próprio(a), onde a pessoa se sente a mais suja de todos(as). Como o amado e precioso irmão relata em seu texto, o remédio está em buscar os ensinamentos de Deus por meio de uma orientação de um(a) conselheiro(a) idôneo(a), que professa a fé nO Deus verdadeiro. Assim, tais pessoas não terão de carregar esse fardo, sabendo que O Senhor Jesus já o carregou por si. Descansem nO Senhor e confiem nEle.

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