Culturalismo: Por que agimos como agimos?
A palavra “cultura” é muito abrangente; entretanto, seu significado mais importante refere-se a um conjunto de padrões comportamentais e valores que determinam o modo como um indivíduo interpreta e interage com o mundo (cosmovisão). O culturalismo neste caso é o sistema (-ismo) de vida humana regido por uma cultura. É evidente que a cultura contemporânea exerce forte pressão contra perspectivas bíblicas da vida cristã, portanto, esta breve reflexão pretende apontar alguns princípios que são eficazes para que a Igreja preserve sua lealdade aos ensinos da Palavra de Deus em meio a tal pressão cultural.
Há pelos menos três características que definem a cultura contemporânea: (1) a centralidade do homem e não de Deus, o que entendo como fenômeno da secularização. (2) Como resultado da primeira, o individualismo. Esta é a razão da libertinagem moral e religiosa, pois ninguém tem o direito de interferir na vida do outro que tem o direito de agir e falar o que quer, como quer e quando quer sem qualquer censura ou disciplina, mesmo sendo da Palavra de Deus. (3) Por conseguinte, o pluralismo. Este, com base em preferências pessoais, permite que cada um tenha para si o que é a verdade, e nesta direção a verdade absoluta da Palavra de Deus é questionada.
Os meios de comunicação, em geral, estimulam o comportamento desregrado dos prazeres sexuais, focam a violência, questionam padrões tradicionais da família e determinam importância das coisas e pessoas pela moda ou por sua aparência física. Em tal contexto as pessoas são desestimuladas diariamente na devocional bíblica, tornando-se cada vez mais vulneráveis a influência da cultura que aos conselhos da Palavra de Deus. Diante disto, gostaria de destacar dois princípios que necessitam ser observados e praticados neste contexto em que vivemos:
(1) Centralidade de Deus (Dt. 6:4; 1 Sm. 15:22; 2 Sm. 7:22; Mt. 6:33; Mc. 3:35; Jo. 3:30, 17:3; Ef. 6:5-8; Cl. 3:23, 1:13-23; Ap. 4:11). Deus é soberano, governa todos os eventos da história. Tudo o que existe, existe por Sua perfeita vontade. Não há outro, há somente um Deus triúno e Ele é Senhor absoluto, digno de ser exaltado e honrado com o uso da nossa boca, intenções do coração e comportamento. Sua vontade é mais impreterivelmente importante que nossos anseios pessoais e de todos os poderes políticos das nações. Concentrar-se na Pessoa de Deus direciona-nos para aquilo que realmente importa: Sua vontade.
(2) Sacerdócio universal dos crentes (Mt. 5:16, 28:18-20; Jo. 3:21; Rm. 3:20 e 27; Ef. 2:10; Tt. 1:16, 2:7; Tg. 2:14-22). A teologia bíblica, como preceito, precisa criar uma “ponte” com relações familiares, cuidado com os enfermos, adminstração financeira, responsabilidade acadêmica e profissional, respeito às autoridades, pessoas esquecidas de políticas públicas, etc. Ela não se reduz ao aspecto intelectual, mas abrange todas as formas de relacionamento do homem com Deus, consigo e com o próximo (1 Jo. 4:20 cf. Mt. 22:36-40). Do contrário, será apenas dogmatismo pretensioso. O mundo em torno da Igreja deve ser afetado pelo seu modo de tratar questões espirituais e sociais. Como Igreja temos a missão individual de anunciar a verdade de Deus ao mundo, verdade esta poderosa para promover libertação espiritual, redefinir valores morais, dissolver enganos intelectuais, orientar e curar relacionamentos, proteger da idolatria e promiscuidade, e estabelecer justiça aos injustiçados.
O desapego da Palavra de Deus, ou sua má interpretação, sutilmente acomoda a vida cristã às inclinações culturais da nossa época. Embora vivemos na era do franco desenvolvimento tecnológico, da comunicação, da ciência e literatura, o amor se esfria juntamento com o descompromisso com a vontade do Senhor. Razão porque agimos muitas vezes como agimos. É tempo de buscarmos compreender a vontade de Deus mais intensamente em Sua Palavra e exercermos com firmeza e autoridade nossa vocação como Igreja neste mundo!
Com meu carinho,
Ericson Martins
contato@brmail.info
Leia João 5:25



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