PÓS-MODERNISMO: POR QUE A VERDADE TODA NÃO É TODA VERDADE?
A pós-modernidade é um conceito tão amplo que, ao invés de reduzi-lo em uma simples definição, prefiro dar algumas características antes de tratar a “verdade” no seu contexto. A pós-modernidade caracteriza-se principalmente pela morte da razão, a independência do “eu” e a negação de qualquer conclusão totalizante ou universal. Nesta época pós-moderna, o niilismo que é a negação de significado, autoridade e verdade absoluta, precisa não só ser aceito, mas também ser afirmado sob pena de ser excluído ou desprezado em discussões mais profundas sobre a vida.
A hermenêutica é a ciência da interpretação, dedicada à encontrar o sentido verdadeiro de textos e símbolos, entender pessoas e suas circunstâncias. Seu objetivo principal é recuperar o significado e para isto utiliza-se da observação, experiência e exame rigoroso literário. Fracis Bacon foi um filósofo otimista que utilizou o método indutivo como critério hermenêutico; porém, foi muito criticado porque as pessoas acreditam prontamente naquilo que mais deseja ser a verdade. Em oposição a esta “reconstrução” desenfreada Jacques Derrida (judeu e filósofo francês) propôs outro método: a total “desconstrução”; contudo, tal tentativa de “desindução” tornou-se uma indução sem fim e sem conclusão. Sua proposta foi desfazer as interpretações a fim de preservar o mundo, os textos e pessoas, livrando-as de conclusões autoritárias de significado. Por isto, o desconstrutivismo de Derrida se transformou na estratégia de resistir a qualquer forma fixa de conhecimento que age como “camisa-de-força”, impedindo o homem de pensar e viver sem interesse por conclusões e compromissos sociais. Defensores deste modo de pensamento, entretanto, não deveriam convencer ninguém, pois a tentativa converte seus discursos em ambiguidades ou contradições.
O que é “verdade” neste contexto? A verdade é um significado relativo ou temporal de determinada experiência ou conhecimento. Não há convicção sobre ela, visto que a mesma muda à medida que as circunstâncias também mudam, ou quando novos conhecimentos são agregados. Assim, a verdade (ontológica, moral e cognitiva) também é humanista por estar condicionada a experiência humana e consagrada no altar do livre individualismo.
O que o Cristianismo bíblico tem a dizer sobre isto? Em Gênesis 3 lemos a narrativa da queda da raça humana por seu primeiro representante: Adão. Deus lhe fez algumas perguntas, entre elas: “Quem te fez saber que estavas nu?” (Gn. 3:11). O primeiro casal estava nu antes da desobediência “e não se envergonhavam” (Gn. 2:25). A pergunta de Deus exigiu a resposta sobre uma informação que Ele não havia dado, tal informação não originada nEle causou vergonha na raça humana. Envergonhados consigo mesmos, ao ouvirem a voz do Senhor no jardim, esconderam-se por um motivo que nunca tiveram: medo (Gn. 3:8-10). Esta é a síntese da história humana: por não seguir a verdade de Deus “foje” da Sua presença.
A verdade tem origem somente em Deus que é onisciente (Sl. 139:1-17), somente Ele conhece plenamente todas as coisas com exatidão peculiar. A verdade que julgamos ser, é quando concorda com a verdade de Deus, assim, ela é uma parcela daquilo que se mostra pleno nEle.
Jesus Cristo, o segundo e último representante da raça humana, disse que o Pai e Ele são um (Jo. 10:30) e que Ele é a verdade (Jo. 14:6). Conhecer Jesus é conhecer com fidelidade a verdade, pois Deus é a sua fonte. Jesus é a expressão exata do seu Ser (Hb. 1:3), a encarnação da verdade de Deus. A partir da verdade da revelação bíblica o homem constrói a vida com segurança na sua finalidade: libertá-lo das influências do pecado que afetam essencialmente sua espiritualidade e comportamento social. Sem o conhecimento de Deus, especialmente revelado em Jesus pelas Escrituras, o homem pode facilmente enganar-se por falta da verdade essencial. Hebreus 2:1 diz: “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos”.
Ericson L. Martins
contato@brmail.info



3 comentários:
Da leitura do blog Reflexões do Cotidiano - Por que a verdade toda não é toda a verdade -, ficaram algumas dúvidas.
1. Qual é a verdade? Jesus?
2. Que a pós-modernidade caracteriza-se pela morte da razão.
Me parece que desde a Revolução Francesa nunca se buscou tanto a razão como de lá para cá.
3. A afirmação de que Deus é Onisciente tem como única fonte um versículo situado no Livro de Salmos, até pouco tempo, considerado Livro Poético.
4. Quando o texto termina de clarear o pensamento pós-moderno, não passa por por um desenvolvimento. Entra direto numa sequência de citações de versículos que não dão clareza ao texto e a sua finalidade.
Na Revista Veja, que não é referência de nada, dessa semana, capa sobre concursos, tem uma entrevista com um suposto filósofo niilista que tem um pensamento Teístico e bem racional. O que o Senhor achou?
Como leitor do blog, gostaria de solicitar, se for do interesse do Senhor, Pastor, clarear melhor o objetivo do texto, o desenvolvimento, a fundamentação e a conclusão.
Sei que perturba falar tais coisas; mas são observações que podem ser construtivas. Acho que uma solicitação dessa, talvez não seja tão ruim quanto não ler o texto, ou concordar com tudo e elogiar o Pastor.
Talvez também minha inteligência seja limitada e eu quem não conseguiu captar a mensagem do texto.
De qualquer forma, obrigado por nos dar uma referência do pensamento cristão em contradição ao pensamento dos filósofos.
Se puder orar por mim agradeço. Estou em dificuldades!
Querido ANÔNIMO, boa tarde!
Agradeço por escrever e também pela crítica. Tanto ela quanto elogios fazem parte do meu dia-a-dia, não me incomoda. Acho que estou acostumado.
Tentando responder os ponto que levantou, aqui estão minhas respostas:
1. Qual é a verdade? Jesus?
R= Sim, Jesus é a Verdade, Verdade que liberta o homem dos enganos sobre o Caminho e a Vida (Mt. 22:16; Jo. 14:6). Como o texto diz: "A verdade que julgamos ser, é quando concorda com a verdade de Deus, assim, ela é uma parcela daquilo que se mostra pleno nEle". Em outras palavras, o que Deus, através da Sua Palavra, diz ser verdade é, do contrário, é mentira. Note que a Palavra de Deus é a base para o Cristianismo. Sem ela, o Cristianismo é paganismo.
2. Que a pós-modernidade caracteriza-se pela morte da razão.
R= Sim, uma das maiores características do tempo pós-moderno é a morte da razão. É preciso ler a história com um pouco mais de clareza. Em resumo, o período medieval a razão era constituída pela experiência espiritual e puras tradições. Foi a idade do misticismo. Em reação a este período veio a modernidade com seu pré e iluminismo. Neste tempo a razão consistia apenas naquilo que a ciência legitimava, chamada de cientificismo, ou seja, a verdade absoluta parte da ciência. Foi neste tempo que muitas ciências surgiram e que as teorias de Freud foram duramente criticadas por causa do aspecto subjetivo que tanto enfatizou. Contra este período temos a pós-modernidade, que não é outro período, senão uma reação dentro dele. Neste tempo a razão como verdade absoluta sai do cientificismo e vai para a individualidade, cada um define para si o que é a verdade resistindo que uma verdade absoluta controle as escolhas de todos. Neste sentido a razão como verdade absoluta morre, porque cada um cria a sua. Se você escreve algo com uma intenção só, mas ao ler seu texto eu entender outra "coisa", o que eu entender passa ser a verdade para mim. Neste sentido, sua intenção morreu. Não sei se estou conseguindo ser claro para você. Leia "Tempos Pós-Modernos" de Gene Edward Veith, "Há Significado neste Texto?" de Kevin Vanhoozer e a "Morte da Razão" de Francis Schaeffer. Acho que lendo estes livros poderá entender bem o que em poucas palavras eu quis tratar.
3. A afirmação de que Deus é Onisciente tem como única fonte um versículo situado no Livro de Salmos, até pouco tempo, considerado Livro Poético.
R= Se há necessidade de mais textos para fundamentar a doutrina da onisciência de Deus, aqui estão alguns mais: Gn. 8:22, 16:13; Jó 23:10; Sl. 1:6, 90:8, 103:14, 139:6, 16, 23-24, 147:5; Pv. 15:3, 19:21; Is. 40:13, 65:24; Ez. 11:5; Dn. 2:22, 4:35; Jn. 3:4; Mt. 9:3; Lc. 16:5; Jo. 21:17; At. 2:23, 15:18; 1 Cor. 2:9-16; Hb. 4:13; Tg. 1:17; Ap. 2:9, 13, 20:12. São muito mais, contudo, como escrevi para um público específico prioritariamente, que já tem o pressuposto que Deus conhece todas as coisas, não vi necessidade de ocupar um grande parágrafo com referências bíblicas.
4. Quando o texto termina de clarear o pensamento pós-moderno, não passa por por um desenvolvimento. Entra direto numa sequência de citações de versículos que não dão clareza ao texto e a sua finalidade.
R= Minha limitação racional não me permite abordar um tema e esgotar seu conhecimento. Longe de mim tal prepotência! Também, é preciso considerar que o texto deveria ser objetivo mesmo porque ele está sendo publicado no boletim da igreja em que contribuo. Ao escrever para um público cristão e heterogêneo se faz necessário filtrar conceitos teológicos complexos, palavras incomuns no vocabulário das pessoas e usar uma didática que induza o leitor direto ao que você defende a partir das Escrituras. Razão porque logo após ter esboçado a pós-modernidade e como a verdade absoluta é fragmentada, fui diretamente para a perspectiva cristão sobre o assunto. Não é o caso de um artigo científico (já fiz vários) em que escreve para um público acadêmico e explora exaustivamente um determinado tema, sem preocupação com terminologias e conceitos mais complexos de se entender.
Sobre a Revista Veja que fez referência, não li, não posso respondê-lo sobre o artigo que ela publicou. Lamento.
Espero ter te servido melhor com estas respostas.
Um forte abraço e pode contar com minhas orações.
Postar um comentário