"... pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está : Sede santos, porque eu sou santo." I Pd. 1:15-16 Quando mencionamos "santidade" normalmente nosso pensamento é conduzido para uma realidade cuja impureza moral não está presente. Entretanto, santidade é mais que um comportamento lapidado pelo esforço humano, é um estado irreversível na graça de Deus, pois pela morte de Jesus Ele resgatou para Deus um povo como propriedade exclusiva (I Pd. 2:9). Mas santidade também assume para si o progresso de maturidade do indivíduo tornando-o pacífico à vontade de Deus. Ela o liberta para amar e obedecer. Jesus não tinha o conceito de santidade que muitos de nós temos. Para Jesus santidade é conteúdo quando para muitos significa a capacidade ou o esforço para cumprir uma lista de exigências sagradas. Os fariseus foram frustrados pelo testemunho público de Jesus porque Seu amor extrapolava os limites da genialidade e do rigor na Lei. Eles não admitiam que a santidade fosse simples e acessível, disposta para todos aqueles que se arrependessem, pois para eles e muitos entre nós, é privilégio somente para os versados na Lei e por isto se fazem "santos" (na aparência), mesmo que no interior estejam escravizados pelo medo de quem não conhece o perfeito amor de Deus.
Santo para Jesus não é aquele que passa "de largo" (Lc. 10:31) de quem está caído ao chão necessitando de socorro, mas que é livre para transgredir a lei das tradições humanas e retirar uma ovelha caída na cova (Mt. 12:11), mesmo que seja em dia de sábado. A visão de santidade dos "fariseus" é pagã e cheia de justiça própria, são capazes de desprezar o "pecador" para não se "contaminarem". Por trás de todo este legalismo judicioso que estes chamam de "zelo", existe muita vaidade e arrogância de sabedoria humana. Só o descompromisso com a Verdade da Palavra de Deus, ainda que em contato diário com ela, pode manter alguém nesta condição.
Santidade é legitimamente uma ação do Espírito Santo. É a liberdade para se conformar com a suficiente graça sem qualquer tentativa de se livrar desesperadamente da culpa imposta pela consciência dos pecados já perdoados pelo Salvador. Esta consciência de santidade, permite-nos fazer muitas coisas boas por amor, sem o medo do castigo por não fazê-las. Enquanto santidade for tratada como "doutrina moralista" o crente será produto de neoroses que lhe roubam a certeza da salvação.
Ericson Martins
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